Página Inicial | Segunda-Feira, 6 de Setembro de 2010

UTAD // Crise atacou, mas sem prejuízo Por: Frederico Correia / Secção: Actual / 06-11-2008 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Frederico Correia A tradicional Latada levou os estudantes às ruas da cidade de Vila Real
Semana do Caloiro ou Semana das Barraquinhas, uma pode desaparecer

Chegou ao fim a segunda maior festa estudantil da Associação Académica de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD). Entre 30 de Outubro e 4 de Novembro, decorreu a tradicional Semana do Caloiro, que culminou com a latada e o concerto do inevitável Quim Barreiros. Não foi um evento lucrativo, mas chegou para as despesas. Mais de cem mil pessoas visitaram o recinto do evento. O presidente da AAUTAD, Tiago Sá Carneiro, sabia que esta seria uma “semana muito difícil”. “A situação financeira está controlada, com a produção praticamente paga e todas as despesas asseguradas. As duas últimas noites foram fulcrais para salvar esta Semana do Caloiro. O evento deverá pagar-se a ele próprio, porque não podemos sobrecarregar a AAUTAD com mais despesas.” Se muitos estudantes faltaram à chamada, o mesmo aconteceu com os visitantes que frequentam outras academias e o ensino pré-universitário. “Notou-se a falta não só dos estudantes, mas também da comunidade que vinha euforicamente para as festas académicas. Principalmente dos vila-realenses, o que mostra que a situação não está boa”, explicou Tiago Sá Carneiro. Nem a iniciativa de reduzir o valor despendido nos “cabeças de cartaz”, e a consequente redução no preço dos bilhetes, levou enchentes à tenda dos concertos. “Conhecemos a realidade estudantil, com sobrecargas financeiras diárias. Sabemos também que, sendo uma festa em que é preciso dinheiro para a bilheteira e para depois consumir no interior, muita gente iria optar por não ir. Outros não têm mesmo condições para tal”, revelou o responsável. O sábado, dia um, parece ter sido o dia menos “feliz” de Semana do Caloiro. “Poderia ser o dia mais forte, mas não. Se calhar, foi bom termos reduzido o cabeça de cartaz no sábado, porque sendo mais forte e com renome, poderíamos ter comprometido a AAUTAD”, revelou o presidente da associação sobre o dia em que actuaram Tiago Bettencourt e Mantha.

Semana do Caloiro ou Barraquinhas?

Tiago Sá Carneiro encontra na proximidade entre os dois eventos um factor penalizador. “A Semana das Barraquinhas tem de ser repensada, porque é festa que tira pessoas à Semana do Caloiro. Tendo todo uma Semana das Barraquinhas há um mês atrás, foi bastante complicado porque sobrecarregámos os estudantes”. Não há decisões tomadas sobre o assunto, porque este será uma assunto para a direcção que assumir a presidência depois das eleições de Dezembro próximo. “Não sei se seria melhor acabar com uma ou com outra. É algo complexo, porque são tradições académicas, mas talvez uma sondagem pudesse dizer melhor. A Semana do Caloiro tem um cartaz mais forte, mas a Semana das Barraquinhas é tradicional e a única do país”, ressalvou.

Latada e as suas críticas

No cortejo que marca habitualmente o fim das praxes, os alunos percorreram as ruas da cidade de Vila Real. Com coreografias e cânticos ensaiados, lançaram críticas de forma satírica ao preço das propinas, ao funcionamento da secretaria de alunos, entre outros. “O interesse é haver crítica social sobre os nossos ministérios da tutela. As bolsas da acção social, as propinas, as praxes, são situações que afectam gravemente os estudantes e têm de se tomar uma atitude”, frisou Tiago Sá Carneiro.

Praxe a referendo

Para a próxima segunda-feira, dia 10, está marcado um referendo para apurar a opinião dos alunos da UTAD sobre o assunto: praxes académicas. O Venerável Ancião dos estudantes transmontanos, Paulo Rosa, está confiante na participação e o voto positivo dos estudantes. A pergunta colocada aos estudantes foi aprovada em Reunião Geral de Alunos e vai procurar saber se os alunos “concordam como a praxe está a ser controla, vigiada e implementada, segundo o código de praxe”. Há dois anos no topo da hierarquia praxística, Paulo Rosa garantiu que este foi um ano “muito positivo”. “Houve mudanças no ano anterior pela adaptação do código de praxe a Bolonha e algumas mudanças não foram bem aceites. De resto, o espírito manteve-se, que é a integração de novos alunos e não fazer deles criados ou submetê-los a situações menos boas.”

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