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Saúde // Doentes de HIV/SIDA recusam tratamento no distrito Por: Carla A. Gonçalves / Secção: Actual / 03-06-2008 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Carla A. Gonçalves
Seropositivos preferem deslocar-se aos hospitais do Porto para evitar situações de discriminação e possível quebra de confidencialidade

A maioria dos doentes do distrito de Bragança infectados com o vírus da SIDA recusa ser tratado no centro hospitalar local, optando antes pelos hospitais do Porto, nomeadamente o Hospital Joaquim Urbano com o qual a Sub-Região de Saúde de Bragança tem um protocolo. No distrito estes doentes podem ser seguidos na unidade hospitalar de Mirandela e segundo a coordenadora da Sub-Região de Saúde de Bragança, Berta Nunes, havia também possibilidade de incrementar as respostas ao nível do Centro Hospitalar. No entanto, são os próprios doentes que se recusam a ser tratados no distrito. “O Hospital Joaquim Urbano tinha muitos doentes do distrito de Bragança e quando questionou se eles queriam ser aqui seguidos, a maioria respondeu que não”, contou Berta Nunes. Esta recusa está relacionada com o estigma que a doença acarreta. Segundo a coordenadora, os doentes receiam ser discriminados socialmente e temem que haja quebra de confidencialidade. “As distâncias dificultam o tratamento mas se as pessoas preferem ir para o Porto têm que ser respeitadas”, concluiu. Por outro lado, os doentes infectados dos estabelecimentos prisionais recusavam-se a ir às consultas ao Porto, talvez porque o transporte era feito em carrinhas fechadas com poucas condições. Neste momento, os reclusos infectados são tratados no próprio estabelecimento, através de uma equipa especializada do Hospital Joaquim Urbano. No distrito, sem contabilizar os doentes dos estabelecimentos prisionais de Izeda e Bragança, existem cerca de 130 casos de seropositivos notificados, já doentes com SIDA são 55 os que estão notificados, dos quais 15 já faleceram. A coordenadora frisa a diferença entre doentes seropositivos e com SIDA explicando que a SIDA é já uma fase tardia de evolução da doença que aparece quando não há um diagnóstico atempado e já não tem tratamento. Por outro lado, os seropositivos têm ao alcance tratamentos que “são muito eficazes” uma vez que aumentam a esperança e qualidade de vida. “Quando a doença é detectada precocemente, a pessoa pode recorrer a tratamentos que levam a uma redução muito grande da carga viral”, explicou Berta Nunes. Isto significa que se a pessoa for diagnosticada precocemente e fizer um tratamento correcto pode reduzir o vírus e viver mais tempo.

Aposta na prevenção e nos testes rápidos

A coordenadora da Sub-Região de Saúde de Bragança apela, por isso, para a realização de testes precoces, testes esses que podem ser efectuados no CAD de Bragança, sedeado no Instituto Português da Juventude (IPJ), ou nos Centros de Saúde de Vimioso, Vinhais e Miranda do Douro. Estes testes são gratuitos e confidenciais e possibilitam a detecção precoce. A Sub-Região de Saúde de Bragança está agora a tentar que outros Centros de Saúde disponibilizem estes testes, nomeadamente os de municípios maiores como Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, localidades onde “existem algumas situações de toxicodependência e seropositividade”. O CAD de Bragança começou a efectuar estes testes em 2003 e, recentemente, a adesão tem sido maior. Em 2007 foram realizados 810 testes e nestes quatro meses o CAD já efectuou 411 testes. Outra das apostas da Sub-Região de Saúde, em colaboração com o CAD, tem sido na prevenção junto dos mais jovens e da comunidade em geral. Segundo Berta Nunes, Portugal é dos países da Europa com mais problemas nesta área pois ainda tem muitos “novos casos” de seropositividade. A este factor pode estar associado o facto de ainda existirem muitos portugueses que têm relações sexuais desprotegidas. A prevenção aposta por isso na questão do preservativo que é fundamental para travar a transmissão por via sexual. O grupo dos toxicodependentes é ainda visto como um grupo de risco e o alerta vai sobretudo para aqueles que usam drogas injectáveis, para que não partilhem seringas. Numa primeira fase, os doentes notificados do distrito estavam ligados a grupos de risco, nomeadamente, toxicodependentes. No entanto, hoje em dia, a prevalência incide nos grupos de heterossexuais, o que significa que a transmissão é feita através de relações sexuais não protegidas. Berta Nunes refere também que houve uma grande sensibilização junto dos grupos de risco para a não partilha de seringas, facto que pode ter levado a uma diminuição de casos de seropositividade junto dos toxicodependentes. Por isso, a aposta “urgente” é mesmo para o uso do preservativo nas relações sexuais, a única forma de evitar um contágio por esta via. Relativamente à transmissão de mãe para filho, durante a gravidez, Berta Nunes diz que, hoje em dia, essa é uma questão que já está mais controlada até porque todas as grávidas são submetidas a testes de HIV/SIDA para assim controlar uma possível transmissão para os fetos. Já no que diz respeito às transfusões sanguíneas, a coordenadora assegura que todas as colheitas de sangue são submetidas a testes pelo que a segurança é de “quase 100 por cento”.

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1 Comentário Feed

luisa · escreveu em 05-06-2008 às 12:48:52
Bem pode, também eu recusava!
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