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Torre de Moncorvo // Minas de ferro podem ser reactivadas Por: Ana Preto / Secção: Actual / 13-08-2010 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto Exploração em 1957, a partir de uma fotografia de Gabriel Monteiro de Barros
Transporte do minério deverá ser feito pelo Rio Douro, após a realização de necessários trabalhos de dragagem

As minas de ferro do concelho de Torre de Moncorvo podem voltar a ser exploradas, dentro de cinco ou seis anos, adiantou Aires Ferreira, presidente da Câmara Municipal, na inauguração da exposição de fotografia “Ferrominas 1957” patente no Museu do Ferro e da Região de Moncorvo desde o passado dia sete. A concessão está entregue à empresa MTI (Mining Technology Investements, SA), a mesma que está a realizar, também, trabalhos de prospecção de estanho e tungsténio em Rebordelo, concelho de Vinhais, e Murçós, concelho de Macedo de Cavaleiros. O contrato de concessão, solicitado pela empresa à Direcção Geral de Geologia e Energia data de Fevereiro de 2008 e, neste momento, estão a ser ultimados os trabalhos, tendo em vista a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental. A informação pode ler-se na página da Internet da MTI (www.mti-geo.com). Aires Ferreira acredita que é possível que dentro poucos anos as minas concelho possam estar novamente a ser exploradas. “Neste momento penso que os trabalhos estão a ser feitos com seriedade. É obvio que estes projectos são de longa maturação, mas é possível que daqui a cinco ou seis anos o minério de Moncorvo esteja novamente a ser explorado”, disse ao Mensageiro. A empresa mineira aponta que a exploração deverá começar na jazida da Mua, sendo a lavaria industrial colocada no Larinho. O minério deverá depois ser conduzido por tela transportadora até ao Douro. “Neste momento, os estudos estão a apontar para o transporte a partir de Moncorvo, no Rio Douro, por via fluvial e marítima, que era já a solução apontada no projecto apresentado em 1985. Está a ser estudada a hipótese do minério ser transportado numa estrutura própria, desde o Carvalhal até ao Rio Douro, em frente ao Pocinho, e descarregado directamente nas barcaças”, explicou Aires Ferreira. Para que esse transporte seja possível é necessário realizar operações de dragagem do rio, a montante da Foz do Tua. O trabalho, da responsabilidade do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, já esteve previsto, no entanto nunca chegou a ser realizado. “Eu acho que é essencial, porque na década de 70, quando se começou a falar na navegabilidade do Douro, o argumento eram os minérios de Moncorvo e os granitos de Alpendurada. Na altura, o turismo era visto como secundário. Foi como transporte de mercadorias que a navegabilidade do Douro foi finalmente lançada em 1981, era primeiro ministro Pinto Balsemão”, recordou Aires Ferreira, lamentado que, actualmente, a navegabilidade deste Rio, a nível do transporte de mercadorias, não esteja assegurada.

Antiga exploração ainda com muito potencial

Aires Ferreira referiu ainda que, apesar de poder existir algum artificialismo no mercado, no último ano a cotação do ferro se tem mantido em alta, o que levou já alguns países, como Suécia, a reactivarem antigas explorações deste minério. Por outro lado, segundo indicou, a actual a evolução tecnológica permite resolver de “uma forma economicamente viável” alguns dos problemas técnicos que o minério de ferro de Moncorvo levantava, nomeadamente o seu teor em fósforo. Recorde-se que, nos tempos modernos, o minério de ferro já foi explorado neste concelho, nas décadas de 50 a 70 do século passado, pela Ferrominas e a jazida de Moncorvo é considerada a maior jazida de ferro da Europa. Os tempos, não muito antigos, em que as minas ainda laboravam, podem ser apreciados, através de fotografias, no Museu do Ferro e da Região de Moncorvo. As fotografais expostas datam de 1957 e fazem parte do “Fundo Eng.º Gabriel Monteiro de Barros”, antigo director técnico da Ferrominas, organizado a partir de uma doação do sobrinho, João Pedro Barros Cabral.

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1 Comentário Feed

Daniel Conde · escreveu em 30-11-2010 às 13:32:45
Excelente oportunidade para a reactivação da Linha do Sabor, nem que a reabertura fosse apenas até à estação de Carvalhal, numa distância de 22 Km a partir do Pocinho. Excelente porque a potenciar esta reabertura estaria não apenas uma vertente comercial (mercadorias) mas outras duas mais que evidentes: passageiros e turismo.
É incontornável pensar-se que a reabertura da Linha do Sabor até Moncorvo, no seguimento da intenção de classificação da ponte rodo-ferroviária do Pocinho como Património Nacional, teria um aproveitamento turístico fenomenal. Por um lado, o mais antigo comboio turístico regular do país, o comboio das Amendoeiras em Flor, parte todos os anos do Porto rumo ao Pocinho com milhares de visitantes; por outro, o atractivo inigualável da magnífica visão do Vale Meão e da foz do Sabor que se tem da subida de 12 Km e 260 m de desnível entre as estações do Pocinho e de Moncorvo; por outro ainda a proximidade do Museu do Côa e das suas gravuras rupestres, a uns 15 minutos do Pocinho, a convidar a uma visita à Linha do Sabor; e para finalizar, as perspectivas futuras (porque nenhuma crise é eterna e há que pensar para a frente) da modernização da Linha do Douro, que tornaria a viagem Moncorvo – Porto ainda mais rápida e cómoda, e da reabertura do troço Pocinho – Barca d’Alva – Boadilla, restabelecendo as ancestrais ligações internacionais directas entre o Porto e Salamanca. E face a tudo isto é preciso ser ingénuo para negar o sucesso da reabertura da Linha do Sabor, pelo menos numa 1ª fase até Moncorvo.
Mas o investimento nesta estrutura ferroviária, mais barata que muitas auto-estradas e estradas e outras obras públicas que proliferam pelo país, muitas delas de cariz duvidoso, seria ainda melhor rentabilizado pela vertente passageiros regulares – urge uma política de transportes públicos capaz e saudável – servindo centros de pequena dimensão que estão como que “desligados” uns dos outros e do seu ponto de referência económico-social (neste caso, Moncorvo). Nuestros hermanos utilizam esta premissa para a modernização e mesmo reabertura de vias-férreas estreitas; do lado de cá da raia a mesma premissa é utilizada para a destruição destas vias; vá-se lá entender… Idosos, pensionistas, reformados; crianças, jovens, estudantes; as necessidades de transporte cómodo e acessível são cada vez mais prementes, tanto para o mais básico nível de desenvolvimento como de coesão territorial.
Voltando à questão da possível reactivação das minas de ferro do Reboredo, é quase automático pensar-se no transporte do minério por comboio. Durante décadas, milhares de toneladas desceram do Reboredo para o Douro de comboio, e convém talvez desmistificar a construção de eclusas nas barragens do Douro desde a Crestuma até ao Pocinho: seria numa primeira ideia para a passagem de batelões para o transporte do minério moncorvense, ou já se profetizava a vinda de barcos turísticos ao Douro?
Uma tão curta distância, tantas oportunidades. Em contas de merceeiro, reabrir a Linha do Sabor até Carvalhal, sem contar com a ponte do Pocinho, ficaria orçada em 5 milhões de euros (custo por Km de 217 mil euros, contra 125 mil euros por Km da ciclovia do Sabor). Em termos de material circulante, a bitola métrica tem as suas vantagens, uma vez que um pouco por todo o mundo existem vias com esta bitola e bom material pronto a ser vendido; a vizinha FEVE (Ferrocarriles Españoles de Vía Estrecha) dá o exemplo, com a recente aquisição de material circulante para passageiros e mercadorias (só em novos vagões estamos a falar de 120, num investimento total de 15,7 milhões de euros). Fazendo a conta ao número de visitantes e toneladas de mercadorias transportados por ano, qual seria o período de retorno do investimento?
O que segue é que o tempo passa, e com ele as oportunidades. Seremos corajosos ao ponto de arriscar, quando as probabilidades jogam a nosso favor?
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