Bragança // Habitantes do São Jorge reivindicam estrada Por: / Secção: Actual / 06-08-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Acesso ao bairro é feito por um caminho no qual foi colocada brita que, com o tempo, se foi deteriorandoAlguns habitantes do Bairro de São Jorge, em Bragança, gostariam que a Câmara Municipal pavimentasse o estradão que dá acesso às casas. O actual estradão, no qual a Câmara colocou brita, está em mau estado. “Puseram-nos as pedras. Só que o movimento é muito e as pedras saem e dão cabo dos carros”, explicou Ana, uma das vizinhas. Este bairro não tem serviço de carteiro, porque os Correio recusam-se a ir lá, face às condições do caminho, contaram-nos. “Os carros levantam as pedras. Eu gostava que tivesse alcatrão. Uma pessoa tem que ir a saber das cartas à cidade. Eu estou a pagar seis contos por um apartado nos Correios”, afirmou Humberto, habitante do lugar há cerca de 30 anos. Quem tem carro queixa-se que o caminho implica despesas extraordinárias com a oficina. Quem não o tem, como Conceição, gostaria que aquela zona tivesse acesso a transportes públicos. Perguntamos-lhe porque foi viver para aquele lugar, se fica longe e não tem caminho, e Conceição responde: “Por causa da vida, nem sempre é como nós queremos”. Filomena, uma das mais antigas habitantes, diz-nos que construir naquele lugar “era uma maneira de termos uma casa para nos livrarmos da renda”. Este é um bairro que fica para além do Bairro da Mãe d’ Água. As pessoas construíram casas fora do perímetro da cidade, em antigos terrenos rústicos, que serviam sobretudo para o cultivo de cereal. Filomena refere que quando se começou a construir naquela zona chegaram a ser levados materiais pelas terras de cultivo. “Isto era clandestino”, disse, acrescentado que actualmente já não é. Ana sublinhou que todos pagam as suas contribuições e, por isso, deviam ter os mesmos direitos que outros. “Acho que aqui ainda é cidade”, afirmou. Foram os vizinhos que pagaram a uma máquina para abrir melhor o caminho rural que havia. A rede eléctrica só chegou ao bairro em 1991. Ana explicou-nos que o ramal foi pago “entre todos”, depois da Câmara ter autorizado. Contactado o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, explicou ao Mensageiro que a pavimentação daquela estrada não está prevista, porque “neste momento não há recursos”. As pessoas que construíram fora do perímetro urbano têm assim de “esperar mais algum tempo”, até que as suas reivindicações possam ser satisfeitas.

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