Página Inicial | Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

Planalto Mirandês // Construtores apresentaram o seu trabalho Por: AP / Secção: Cultura / 04-08-2010 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: AP
II Feira de Instrumentos Musicais Ibéricos

Construtores de variados instrumentos que fazem a tradição musical da Península Ibérica, provenientes de diversas localidades de Portugal e Espanha, como Terras de Miranda, Bragança, Torres Vedras, Saragoça, Zamora, Ponferrada, ou Pontevedra, mostraram o seu trabalho na II Feira de Instrumentos Musicais Ibéricos, que decorreu nos dias 30 e 31 de Julho, em Sendim, Miranda do Douro. Cristóbal Prieto, construtor de gaitas galegas, principalmente, mas também aragonesas, escocesas, de flautas tradicionais e pífaros, veio de Cangas do Morrazo, na Galiza e vive da arte. “No início é duro, mas se fazes uma clientela e funcionas com bandas de gaitas, lutando consegue-se viver”, afirmou.
Antes já era gaiteiro. Depois aprendeu a construir instrumentos musicais numa Escola de Artes e Ofícios criada em Vigo por Antón Corral, o seu principal mestre, indicou. António Fernandes, de Nogueira, Bragança, construtor de instrumentos de percussão, fricção e ritmo, costuma participar nas mais variadas feiras e eventos relacionados com a música tradicional. Explicou-nos que, em festivais de música, costuma vender bem, para músicos que encontram nos seus instrumentos alguma sonoridade que procuram. Mas não é só para músicos que vende. Também outros públicos revelam interesse pelas suas construções artesanais.

Um gosto herdado do avô Ventura

Ao contrário de António e Cristóbal, os Ventura não vivem da construção de instrumentos. Herdaram foi de um avô, Alfredo Ventura, carpinteiro e músico, o gosto pela música e pela construção. “Com ele aprendemos a gostar de construir. Aprender a construir, aprendemos por iniciativa própria. De vez em quanto frequentamos algum workshops e temos alguns orientadores mais velhos que nos apoiam”, explicou Luís ventura, um dos quatro netos que se dedicam a perpetuar a herança do avô. Outro dos netos, Paulo Meirinhos, referiu que um dos instrumentos que o seu avô mais construía era o pandeiro, com sobras de ripas da carpintaria e com as peles que ele curtia para a caixa, pois era tocador de caixa de guerra mirandesa. “Aproveitava um pouco isso tudo e ele próprio construía os pandeiros que aparecem muito em fotografias antigas do Grupo Pauliteiros de Duas igrejas, com diferentes formatos, quadrado losango, triângulo e hexágono”, referiu. Luís Ventura explicou-nos o que podemos encontrar na tendinhas dos quatro netos de Alfredo Ventura (Luís, Paulo, Alexandre e Manuel, estes três últimos irmãos e membros do grupo Galandum Galundaina, mais conhecidos pelo apelido “Meirinhos”). Cada um dos netos constrói defendentes tipos de instrumentos. O Alexandre, por exemplo, constrói, entre outros instrumentos, caixas de guerra mirandesas, tal como o seu avô. Em exposição estava a caixa original de Alfredo Ventura, recuperada pelo Alexandre, e uma réplica desse instrumento antigo. O Paulo faz os pandeiros e também os rabeis que funcionam “por fricção, como um violino, com a diferença de que tem apenas três cordas e os formatos que o construtor quiser dar, desde os mais religiosos até aos mais pagãos”, explicou Luís, o construtor de órgãos portativos. Manuel faz as flautas pastoris e flautas de bisel, com ossos de animais. Estes últimos instrumentos não eram “propriamente uma tradição daqui, julgo eu, mas que tem uma sonoridade muito agradável, e é reciclagem”, sublinhou Luís Ventura.

Feira inserida num conjunto de iniciativas culturais

Segundo Diana Caramelo, da Lérias – Associação Cultural, entidade responsável pela produção da Feira, a iniciativa nasceu sob a responsabilidade da Direcção Regional de Cultura do Norte, no âmbito de um projecto transfronteiriço com a Junta de Castela e Leão. Tendo reunido com entidades com as quais a Direcção de Cultura costuma colaborar, como a Lérias, a AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino) e a Associação Galandum Galundaina, foi proposto que essas associações organizassem uma Feira destinada exclusivamente a construtores de instrumentos tradicionais da Península Ibérica. “É um projecto da responsabilidade deles, apoiado por eles. Nós simplesmente trabalhamos”, explicou Diana Caramelo. No primeiro ano a Feira decorreu a par da iniciativa “O Burro e o Gaiteiro”. Este ano, o evento antecedeu essa iniciativa, e decorreu em Sendim, a par do Festival Intercéltico da vila. O encerramento da Feira foi feito em clima de festa, no Domingo, com os concertos de Galandum Galundaina e Diabo na Cruz, em Miranda do Douro. Este concerto marcou também o início do passeio cultual “O Burro e o Gaiteiro”, que decorre até amanhã, dia cinco.

O que achou desta notícia?

0 Comentários Feed

Deixe o seu Comentário

(necessário)

(opcional)

(opcional)

(necessário)

Nota: Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.


Login de Assinantes //

  Recuperar password

Última edição em PDF
Edição 3353 - 26 de Janeiro
Publicidade // Anuncie aqui... Estatísticas das notícias // Últimas notícias por secção //