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. // Menos clero, melhor sacerdócio? Por: Calado Rodrigues / Secção: Editorial / 16-03-2010 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

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No contexto do Ano Sacerdotal, o clero da Diocese de Bragança reuniu em assembleia. Estiveram um bom número de sacerdotes, cerca de sessenta, vindos de todos os pontos da diocese. Durante todo o dia reflectiu-se sobre as diversas dimensões do sacerdócio. Essa reflexão iniciou-se pessoalmente, foi complementada ao nível do Arciprestado e culminou com a apresentação das suas conclusões na Assembleia. Foi um momento de encontro da maior parte dos sacerdotes da Diocese. Ficaram algumas ideias em ordem ao futuro que agora se devolvem aos Arciprestados, para continuarem a reflexão. O futuro do presbitério diocesano não é muito animador, se olharmos apenas ao número dos sacerdotes que o constituem. A tendência continuará a ser a sua diminuição. Durante os anos em que a diocese esteve confiada ao actual bispo, D. António Montes, o clero diocesano perdeu quase uma vintena de sacerdotes, precisamente 19. No final de 2001, contava a diocese com 117 sacerdotes, dos quais 89 eram párocos. No início de 2010, o presbitério era constituído por apenas 98 sacerdotes, dos quais 68 eram párocos. Desde então, infelizmente, já perdeu mais um pároco, o Pe. Alberto Neto, recentemente falecido. Prevê-se que dentro de 10 anos a Diocese tenha cerca de oitenta sacerdotes, dentre os quais, cinquenta a sessenta párocos. Embora os números possam parecer extremamente negativos eles podem apontar para novas realidades bem positivas e renovadoras da vida da diocese. A diminuição do clero vai exigir, cada vez mais, que os sacerdotes se dediquem ao que é específico do seu ministério. Tantas das tarefas desempenhadas pelos padres terão de ser confiadas aos leigos. Assim, por via da necessidade, assumirão a sua tarefa na Igreja e a sua co-responsabilidade, há mais de quarenta anos, preconizada pelo Concílio, mas que só agora poderá vir a ser efectiva e normal em tantas comunidades, Como já acontece em tantos pontos do globo, onde a falta de sacerdotes a isso obrigou. No continente africano, ou asiático e na América Latina, muitas das comunidades são dirigidas por leigos, só tendo muito esporadicamente a presença do sacerdote. Não significa isso que o sacerdote venha a tornar-se dispensável, mas vai ficar confinado ao que só ele, e mais ninguém, pode realizar. Como sinal da importância que o sacerdócio readquiriu nesses contextos está o aumento das vocações. África e Ásia são os continentes onde se têm ordenado mais sacerdotes, fazendo com que, contrariando a tendência do Mundo Ocidental, os sacerdotes diocesanos no mundo tenham aumentado vários milhares. A falta de sacerdotes vai exigir também a reorganização das paróquias e comunidades da Diocese, em ordem à formação de comunidades mais alargadas, confiadas ao mesmo pároco, como já vai acontecendo. Podem é vir a ter uma maior estabilidade e serem habitualmente entregues a um mesmo sacerdote, para irem criando e desenvolvendo laços comunitários em unidades pastorais mais alargadas que as actuais micro-paróquias. Como tudo na vida, as ameaças e fragilidades podem converter-se em oportunidades e forças que façam despontar uma pastoral nova para o século XXI.

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Serafim Falcão · escreveu em 30-03-2010 às 18:23:09

Li com muita atenção este editorial de que destaco as seguintes conclusões: 1- Concretizou-se “o bom número de presenças”. 2 - O resto ficou-se pelas generalidades e boas intenções. Fiquei sem saber: a) quais as diversas dimensões, pelo menos algumas que “ocuparam a reflexão de um dia”. b) bem como as conclusões; c) e as “algumas ideias em ordem ao futuro”.
3 – De novo se concretizou, e bem, a situação presente e se perspectivou o futuro do presbitério diocesano.
“A diminuição do clero vai exigir, cada vez mais, que os sacerdotes se dediquem ao que é específico do seu ministério.” É verdade. E o específico do seu ministério é “ide e ensinai” e não tanto celebrai que tem o seu lugar e a sua exigência necessária, após aquele mandato, o segundo - “fazei isto em memória de mim”. Celebra-se muito e prega-se pouco e este pouco é medíocre e exclusivo da Missa. As grandes comemorações, os momentos fortes que poderiam ser de renovação, limitam-se a conferências por especialistas para elites e a Missas com pompa e circunstância. Os padres fazem pouco uso do que muito estudaram. Se para a Palavra são precisos tantos e, por vezes, tão difíceis e exclusivos estudos, para celebrar, como actualmente se celebra, bastará a Fé, provada e comprovada, mas não tantos estudos.
O editorial não dá a solução, lembra-a: “Tantas das tarefas desempenhadas pelos padres terão de ser confiadas aos leigos. Assim, por via da necessidade, assumirão a sua tarefa na Igreja e a sua co-responsabilidade, há mais de quarenta anos, preconizada pelo Concílio, mas que só agora poderá vir a ser efectiva e normal em tantas comunidades” Porquê só agora e ainda “poderá” e “por via da necessidade”? Já estamos habituados a este comportamento hierárquico da Igreja. Age e tarde, em função da necessidade e não da Profecia, da Fé. Vai atrás da circunstância, do já sucedido. Não do estudo e da análise do presente, precavendo o futuro, como boa administradora do Reino de Deus. A isto eu chamo um pecado da hierarquia. Confia nela, no seu poder, e não no Espírito Santo. Não olha, não analisa a realidade; não prevê, iluminada pela fé, as consequências…
Há quantos anos, se fala num novo Concílio, num novo Sínodo. Só agora, por causa dos falados escândalos de pedofilia dos Padres, é que o Papa começa a falar na realização deste.
s.m.falcao@gamail.com
Serafim Falcão · escreveu em 31-03-2010 às 12:43:02
Li com muita atenção este editorial de que destaco as seguintes conclusões: 1- Concretizou-se “o bom número de presenças”. 2 - O resto ficou-se pelas generalidades e boas intenções. Fiquei sem saber: a) quais as diversas dimensões, pelo menos algumas que “ocuparam a reflexão de um dia”. b) bem como as conclusões; c) e as “algumas ideias em ordem ao futuro”.
3 – De novo se concretizou, e bem, a situação presente e se perspectivou o futuro do presbitério diocesano.
“A diminuição do clero vai exigir, cada vez mais, que os sacerdotes se dediquem ao que é específico do seu ministério.” É verdade. E o específico do seu ministério é “ide e ensinai” e não tanto celebrai que tem o seu lugar e a sua exigência necessária, após aquele mandato, o segundo - “fazei isto em memória de mim”. Celebra-se muito e prega-se pouco e este pouco é medíocre e exclusivo da Missa. As grandes comemorações, os momentos fortes que poderiam ser de renovação, limitam-se a conferências por especialistas para elites e a Missas com pompa e circunstância. Os padres fazem pouco uso do que muito estudaram. Se para a Palavra são precisos tantos e, por vezes, tão difíceis e exclusivos estudos, para celebrar, como actualmente se celebra, bastará a Fé, provada e comprovada, mas não tantos estudos.
O editorial não dá a solução, lembra-a: “Tantas das tarefas desempenhadas pelos padres terão de ser confiadas aos leigos. Assim, por via da necessidade, assumirão a sua tarefa na Igreja e a sua co-responsabilidade, há mais de quarenta anos, preconizada pelo Concílio, mas que só agora poderá vir a ser efectiva e normal em tantas comunidades” Porquê só agora e ainda “poderá” e “por via da necessidade”? Já estamos habituados a este comportamento hierárquico da Igreja. Age e tarde, em função da necessidade e não da Profecia, da Fé. Vai atrás da circunstância, do já sucedido. Não do estudo e da análise do presente, precavendo o futuro, como boa administradora do Reino de Deus. A isto eu chamo um pecado da hierarquia. Confia nela, no seu poder, e não no Espírito Santo. Não olha, não analisa a realidade; não prevê, iluminada pela fé, as consequências…
Há quantos anos, se fala num novo Concílio, num novo Sínodo. Só agora, por causa dos falados escândalos de pedofilia dos Padres, é que o Papa começa a falar na realização deste.
s.m.falcao@gamail.com
Serafim Falcão · escreveu em 31-03-2010 às 12:48:23
Começo por citar o Editorial:
“A falta de sacerdotes vai exigir também a reorganização das paróquias e comunidades da Diocese, em ordem à formação de comunidades mais alargadas, confiadas ao mesmo pároco, como já vai acontecendo”
Ainda não vi as conclusões pastorais, reformadoras, catequéticas, sobretudos dos adultos, do ano Paulino; conclusões relativas aos leigos, às comunidades paroquiais, e aos presbíteros. Perdeu-se esta oportunidade, inspirada e motivada por S.Paulo – Ele o formador de Comunidades - a da formação de comunidades novas e de novas Comunidades Paroquiais e Diocesanas. E penso que o Ano Sacerdotal vai pelo mesmo caminho. Muitos processos de intenções, manifestações exteriores, muito convite à oração, exposições do Santíssimo, com as igrejas vazias, algumas acções de formação pelos chamados especialistas, a cujos locais nem todos se podem deslocar. Quantos párocos que, a seu nível, ou ao nível dos colegas próximos, fazem essas acções de formação e mentalização, de esclarecimento e até de educação cristã, na sua própria paróquia?
Quanto ao aumento das vocações em África e na Ásia, não será tanto pela “importância que o sacerdócio readquiriu nesses contextos”. Infelizmente, por um lado, está a acontecer o que já aconteceu aqui – Os Seminários são o local onde os estudos são mais baratos e mais sérios e mais seguros.
Se confiamos e damos muito crédito a este fenómeno nesses Continentes, o fenómeno europeu renovar-se-á aí., mais tarde.
As oportunidades e as forças possivelmente provocadas pelas “ameaças e fragilidades” farão despertar uma pastoral nova para o Século XXI, se, finalmente, se aplicar no que ainda tem de aplicação, o Concílio Vaticano II, sobretudo no que concerne às Constituições sobre o Clero, a Liturgia, os Leigos… sem esquecer as novas funções da mulhere, na Igreja, a que por prática, desde Jesus Cristo, merecem e têm até direito.
s.m.falcao@gmail.com

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