Vila Real // Estado da agricultura é "agónico e aflitivo" Por: / Secção: Actual / 12-03-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Agricultores têm mais despesas do que lucrosA Federação das Associações Agro-Florestais Transmontanas (Fagrorural) apresentou os principais pontos a debater no próximo Congresso da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), a realizar no próximo dia 21 de Março. Em paralelo, os responsáveis mostraram o seu desagrado perante as políticas encetadas para o sector agro-pecuário e florestal regional, sublinhando que as despesas ultrapassam os lucros obtidos pelos agricultores. “Agonia e aflição” é assim que a Fagrorural classifica a actual situação da agricultura de Trás-os-Montes, para a qual tem um peso considerável as “políticas levadas a cabo pelos sucessivos Governos e pela União Europeia”, frisou o dirigente da CNA, Armando Carvalho. Para a Associação, o facto de os rendimentos dos agricultores serem provenientes, na sua maioria, de “apoios comunitários” demonstra a “pouca importância económica” que o sector possui. Embora a região transmontana tenha imensas “potencialidades agro-florestais” e sendo um dos sectores do qual grande parte das pessoas vivem, o certo é que a “agricultura continua a ser marginalizada e esquecida”, referiu Armando Carvalho. Um dos problemas avançados e que os agricultores se deparam incide na “crescente dificuldade do escoamento da produção”, onde são destacados a diminuição de importância de produtos “outrora prometedores e de futuro”, como o leite e a carne, para serem hoje “pesados fardos” para muitos produtores. Exemplo desta situação é a de José Macedo, de Vila Pouca de Aguiar. Com 30 anos de idade, o agricultor adiantou que o “preço de venda é inferior ao de produção”, ao que se junta a necessidade de “abater as linhas de crédito”. Face a este cenário, e acumulando os “atrasos nas ajudas comunitárias”, José Macedo já pensou em desistir, mas garantiu que, ao “desistir, perde-se mais”. Também a dificuldade na actualização do parcelário, na correcção de dados do P1, a Fagrorural avançou ainda com as dificuldades técnicas e informáticas para concretizar as candidaturas, a que se juntam os prejuízos decorrentes do mau tempo. É com base em todas as preocupações que, no próximo dia 21 de Março, irá realizar-se o VI Congresso da CNA, sob o lema “Queremos produzir, mudar de política agro-rurais e promover a agricultura familiar”. Para que esta situação seja alcançada, para Armando Carvalho é necessário “rejeitar as teses da liberalização dos mercados agrícolas à escala mundial”, bem como a “supressão dos apoios aos rendimentos dos agricultores”, entre outras. A mudança do actual panorama da agricultura só será conseguida se houver “ajudas melhor distribuídas e pagas a tempo e horas, melhores apoios à floresta e terrenos baldios e o escoamento da produção a preços compensadores”.


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