Ano Sacerdotal // "Deus nunca deixa ninguém indiferente"' Por: / Secção: Igreja / 29-01-2010 · 4 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Entrevista ao P. José Manuel BentoO padre José Manuel Bento foi ordenado sacerdote a dois de Fevereiro de 1997 na Igreja do Seminário de S. José, em Bragança. Actualmente é pároco da Paróquia Escolar, Paróquia dos Santos Mártires e Paróquia de Nossa Senhora da Assunção de Rebordãos com a anexa da Sarzeda. Em Entrevista ao Mensageiro, explicou como surgiu a sua vocação, do seu trabalho e da sua fé e deixou uma mensagem de optimismo relativamente à juventude actual.
Mensageiro Notícias: Por que decidiu ser Padre? P. Bento: Quando frequentava a 2ª classe da escola primária, antes de começar uma Missa, em que eu e um amigo íamos acolitar, o meu pároco, senhor Padre João de Barros, fez-nos a proposta de entramos no seminário de Vinhais quando terminássemos a 4ª classe. Esta proposta vocacional ecoou em nós e falámos com as nossas famílias. O Pároco foi criando em nós esse desejo e essa vontade. Depois o Paulo foi primeiro porque era mais velho e depois no ano seguinte foi a minha vez. Confesso que quando entrei para o Seminário não sabia se queria ser padre, mas a forma de viver de muitos padres fascinava-me. Eles pautavam a sua vida pelos valores da dedicação, sabedoria, generosidade, tinham uma história marcada pelo serviço e um ritual de boas práticas de fazer bem, em qualidade e quantidade, a todos. O testemunho e a vivência da fé deles foi um sinal do chamamento que Deus me fez. A minha mãe tem um papel providencial na minha vocação. A sua bondade e doçura sempre me manifestaram a presença de Deus e a sua forma de orar revelava-me a confiança no Senhor.
MN: Antes de decidir seguir esse caminho, teve alguns momentos de hesitação? P. Bento: Durante o meu tempo de seminário tive várias crises vocacionais. No meu 11º ano pensei mesmo sair e depois fazer uma carreira profissional como advogado. Mas Deus tinha-me escolhido e pôs pessoas referenciais no meu caminho vocacional que me interpelaram pela sua felicidade e me ajudaram a construir a minha história vocacional.
MN: O que o deixa mais satisfeito no exercício do sacerdócio? P. Bento: É saber que vivo de Deus e para Deus. Não me pertenço, e isto dá-me liberdade para pensar e agir, na certeza se permanecer em Cristo darei muito fruto, como diz o Evangelho. A razão do meu sacerdócio é ser mediador, para que aqueles que o Senhor Jesus me confia, se encontrem com Ele. E isto é o caminho da minha felicidade. Dá-me muita alegria saber das pessoas que rezam pelos sacerdotes. Dá-me muito ânimo e força as pessoas dizerem que rezam por mim, porque me compromete ainda mais e sinto que Deus nunca abandona aqueles que chama e que com entusiasmo e alegria lhe respondem sim.
MN: Quais as principais dificuldades? P. Bento: Fazer silêncio em mim para que Deus fale. A minha dimensão humana do fazer e agir, entravam, por vezes, a meditação, a oração, o discernir a vontade de Deus.
MN: A nível social desenvolve um trabalho muito diversificado. Explique-nos um pouco como gere as diferentes vertentes deste trabalho? P. Bento: O meu trabalho social está ligado à Casa de Trabalho e aos Centros Sociais e Paroquiais. É um trabalho que se centra na pessoa humana. Procuro que seja um trabalho assente na caridade cristã, no amor ao próximo. A execução deste trabalho deve-se muito às pessoas, competentes e generosas, que comigo trabalham, em equipas multidisciplinares. Tenho uma grande preocupação e cuidado com a formação dessas equipas de trabalho. A todos eles que têm trabalhado comigo manifesto publicamente a minha gratidão e admiração.
MN: Procura chamar a juventude para a Fé em Cristo. É um trabalho cada vez mais difícil, ou os jovens aderem? P. Bento: A evangelização dos jovens é uma aventura encantadora. Julgo que os jovens começam aproximar-se da Luz que é Cristo. É um trabalho exigente, requer muita criatividade, disponibilidade, acolhimento, ardor, sair do comodismo, mas é compensador.
MN: O que leva os jovens a procurarem a Religião? P. Bento: A novidade perene da Mensagem de Jesus. O ritmo de vivências juvenis é alucinante e os jovens já perceberam que aquilo que não passa de moda nem perde validade é Jesus e os valores que o Evangelho apresenta. Os jovens cristãos de hoje conhecem as razões da sua fé, têm formação cristã, participam na vida comunidade e movimentos juvenis. Comprometem-se de forma cristã na vivência da cidadania. Agora, ainda, é um número muito reduzido destes jovens crentes. Os jovens devem ser prioritários no processo evangelizador da Diocese.
MN: Na sua opinião, o que leva as pessoas a afastarem-se da Igreja? P. Bento: Falta de formação cristã e de capacidade de assumir compromissos coerentes com a fé que se professa. Colocar a questão de Deus é perturbador, acolher as propostas de Deus é um desafio heróico, dar testemunho cristão num mundo onde impera o relativismo e a indiferença é assumir que se quer viver a vida em abundância e com sentido pleno. Há hoje muitas pessoas que preferem viver como se fossem peças de museu, comodamente instaladas numa vida medíocre e por isso nunca colocam a questão de Deus nem sentem a comunidade cristã como um sinal e mediação do Reino dos Céus. Há outros a quem a Igreja não soube evangelizar e acolher e por isso afastaram-se porque não encontraram nela o mistério do amor de Deus. Mas temos de ir ao encontro de todos, com humilde e entusiasmo, para apresentar a Boa Noticia. Deus nunca deixa ninguém indiferente.
MN: É difícil introduzir “inovações”? P. Bento: A pastoral, a evangelização requer sempre uma linguagem que as pessoas entendam. Requer também estratégias, métodos e instrumentos de comunicação, análise e planeamento que permitam à Igreja apresentar a Mensagem de Salvação de Jesus. A falta de instrução, catequese e cultura cristã leva a que muitos cristãos fiquem presos ao acessório da vivência da fé e se esqueçam do fundamental que é a Pessoa de Jesus. Não as podemos condenar nem escandalizar, mas sim encontrar os canais que lhes possibilitem viver a fé na fidelidade a Deus e aos homens de hoje, onde os valores do Evangelho são o critério do ser e do agir do crente.

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4 Comentários
Assim sendo esta sempre disponivel para todas as solicitações que lhe sejam apresentadas.
Espero que Deus lhe dê sempre força para manter esta atitude positiva e que cada vez mais seja uma referência não só para os jovens, mas para toda a comuinidade.
Vamos continuar a rezar pelos nossos párocos... eles precisam da nossa oração, da nossa colaboração...
Força Pe. Bento!... A nossa diocese precisa de sacerdotes como o senhor. Que Deus o ajude!