Marão e Alvão // Novos parques eólicos serão risco para espécies Por: / Secção: Actual / 14-01-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Associação ambiental pretende estudo de outros locaisA Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza refuta a escolha do Marão-Alvão para a construção de novos parques eólicos, por causarem danos nos habitats naturais e na própria sobrevivência de espécies em vias de extinção. A organização ambiental critica ainda a falta de opções de localização para o empreendimento, considerando que são “milhares” os locais possíveis. O investimento total da construção de parques eólicos engloba, de acordo com o comunicado da Quercus, cerca de seis dezenas de aerogeradores, com 73 quilómetros de linhas eléctricas e a consequente “abertura” de mais de quatro quilómetros de novos caminhos. Estes pressupostos logísticos contribuem para colocar em “risco de morte” algumas espécies de aves como o Grifo e o Abutre-negro. A juntar a estes animais, as serras do Marão e Alvão são também locais onde permanecem outros tipos de espécies, como a Águia-real, o Falcão-peregrino ou a Gralha-de-bico-vermelho. Em consequência destas novas construções, a associação ambiental sublinhou que haverá uma “redução e perturbação dos territórios da caça das aves de presa, o que a par de outros parques eólicos, existentes e previstos, provocará uma diminuição drástica das respectivas populações devido aos efeitos cumulativos”. A mortalidade das aves será ainda agravada em certos cenários climatéricos, como o nevoeiro, que dificultarão a “visibilidade dos aerogeradores e das linhas eléctricas”, que entretanto figuram nas habituais rotas das aves. Uma das espécies que estará em maior risco é o Lobo Ibérico e os seus habitats, que se encontram protegidos por estatutos nacionais e internacionais e que, de acordo com a Quercus, a construção de novos parques eólicos “afigura-se como uma clara violação das leis Comunitárias e da República Portuguesa”. A organização de defesa do ambiente salientou que o Estudo de Impacto Ambiental “reconhece a desfiguração, destruição, deterioração e perturbação do habitat”. Mas não são apenas as consequências negativas para a vida animal que a Quercus aponta, pois existem muitas soluções estratégicas que não constam do documento de estudo. “Existem centenas de áreas passíveis de instalação de parques eólicos fora da Rede Natura”, frisou a Quercus, assegurando que a “falta de alternativas” não se coaduna com os pontos relacionados com a Avaliação de Impacte Ambiental. Em torno destes pressupostos, a associação ambiental reclama um parecer “desfavorável” para o projecto de construção.

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