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Vila Real // Mais famílias recorrem ao Banco de Voluntariado Por: Ana Teixeira/ Frederico Correia / Secção: Actual / 27-11-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Teixeira
Autarquia de Vila Real pede apoio para dar resposta ao aumento de pedidos

O número de famílias que recorrem ao Banco de Voluntariado e Doação de Bens, em Vila Real já subiu para 400. A conjuntura económica, os salários “curtos”, o desemprego e as elevadas despesas obrigam muitas famílias a procurar ajuda. Com a chegada do Natal aumentam ainda mais as visitas ao banco de doação por parte de quem necessita. Bens alimentares são os pedidos mais frequentes e o que regista menos stocks.

“Recordemos a multidão anónima de cidadãos que, dia após dia, com um gesto simples ou sublime, levam a esperança a tantos desfavorecidos do mundo.” É esta a frase que salta à vista quando se entra no Banco de Voluntariado e Doação de Bens. É através da solidariedade de uns que se ajudam os outros, ainda mais com a chegada da época natalícia. As situações de desespero tocam aqueles que não são apanhados pelas surpresas da vida e esse contributo faz chegar a muitas famílias um sorriso.

A pobreza envergonhada tem aumentado e a procura nesta instituição também. As voluntárias recebem, catalogam e organizam por secção, desde alimentos, roupa, mobiliário, utensílios domésticos até aos brinquedos. Mas o essencial e o que as famílias mais procuram, a “parte da alimentação, começa a escassear”, alertou a vereadora da acção social da autarquia de Vila Real, Dolores Monteiro. Nas prateleiras existe muito vestuário, mas é ele o “menos procurado”, ainda que os “idosos peçam, porque está a chegar o frio”, sublinhou Dolores Monteiro. “A última recolha de alimentos que fizemos chegou às sete toneladas e já foi tudo distribuído. Não ficou nada em stock”, reforçou a vereadora. Posto isto, Dolores Monteiro apela à “solidariedade de todos os vila-realenses” para que colaborem e ajudem as famílias com menos recursos. A crise que tem assolado muitos agregados familiares tem dificultado a compra de bens essenciais. “Pão, massa, arroz, leite, bolachas” são os produtos tradicionais na oferta do banco. Problema acrescido ainda mais para as famílias mais numerosas porque “gastam mais”.

Exemplo das vicissitudes da vida são duas famílias, com histórias bem diferentes. Sónia Ferreira, divorciada e mãe de dois filhos de três e dez anos, não está desempregada, mas o “salário torna-se pouco”, confessou. A ganhar o ordenado mínimo nacional, Sónia Ferreira “não consegue esticá-lo até ao fim do mês”. A renda, as contas da luz e da água, alimentação, roupas e a escola são despesas a mais para um orçamento tão reduzido. “Tenho acesso a alimentos e a roupas, sempre em muito bom estado”, destacou. “Por acaso, hoje estou vestida com vestuário que me ofereceram, tal como aos meus filhos.” Questionada sobre o Natal, Sónia Ferreira confessou que vai ser “muito complicado”, porque “não tem posses para dar” o que os filhos pedem.

Situação diferente, mas ajuda igual. Maria da Piedade, 74 anos, é uma das muitas idosas que recebe uma pensão insuficiente para suportar com todas as despesas. Com 245 euros, Maria da Piedade mencionou que “não faz nada”. “O que vale é a ajuda do município, pois o que oferecem dá para muitas refeições”, disse, enumerando o arroz, a massa e as bolachas que vai recebendo. “Chego mesmo a repartir pelos meus familiares.”

Recorde-se que o programa Câmara Amiga foi distinguido pelo Observatório Nacional da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, juntamente com mais 13 municípios, pelos esforços desenvolvidos na área social.

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1 Comentário Feed

Uma vilarealense apaixonada pela sua terra e pelas suas gentes! · escreveu em 27-11-2009 às 17:39:09
A "Câmara Amiga" chegou em boa hora, bem hajam a todos os que nela dão o seu melhor!...
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