Bragança // Máscaras são elementos de identidade Por: / Secção: Actual / 26-11-2009 Imprimir Enviar a um amigo
A cultura popular ancestral em destaque na quarta edição Bienal da Máscara, cujos principais eventos se desenrolam na Praça Cavaleiro de FerreiraExposições da máscaras, conferências de especialistas sobre a temática da máscara e dos seus diversos usos e significados culturais, feira de artesanato, desfile de mascarados e muita animação musical, incluindo dois espectáculos a realizar no teatro Municipal, são os principais motivos de interesse da quarta Bienal da Máscara, que decorre em Bragança, de um a onze de Dezembro. Este ano, as principais celebrações centram-se na Praça Cavaleiro de Ferreira. Segundo Fátima Fernandes, vereadora da Cultura da Câmara Municipal, entidade organizadora, este ano as máscaras “convidadas” a estar presentes na festa dos mascarados do Nordeste Transmontano são oriundas de várias regiões de Espanha. Note-se que, apesar de os vizinhos espanhóis, que têm celebrações semelhantes às festas dos mascarados do Nordeste Transmontano, terem vindo a participar nas diversas realizações da Mascararte, este é o primeiro ano em que as máscaras desse país terão um lugar de destaque. As edições anteriores centraram-se na temática das máscaras de Trás-os-Montes e Alto Douro, na máscaras africanas e, na última, mas máscaras oriundas do Brasil. A exposição “A Máscara Espanhola!” estará patente no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, situado na cidadela. Neste museu, de ocorre ainda uma conferência, com o orador Luís Canotilho, que irá falar do “Jogo dos Rostos Rituais”. A maioria das conferências vão, no entanto, decorre na própria Praça Cavaleiros de Ferreira. António Tiza, presidente da Academia da Máscara, sublinhou a importância destes momentos de reflexão e troca de conhecimentos para a valorização de um dos símbolos mais marcantes do Nordeste Transmontano, que pode ter leituras semelhantes, em outras regiões do país e do mundo, mas também leituras totalmente diversas. Este ano, a organização tem também a colaboração do Museu do Oriente que, no dia 10, no Centro Cultural, irá participar na apresentação de “Outras Máscaras”, mostra dedicada a dar a conhecer os diversos significados e utilizações deste artefacto usado pela humanidade com fins rituais, artísticos, plásticos e outros. Luís Canotilho, professor da Escola Superior de Educação (ESE) do Instituto Politécnico de Bragança(IPB) e membro da comissão organizadora, sublinhou, mais uma vez, a importância de valorizar aquilo que são os nosso próprios rituais, em vez de copiar rituais alheios que nada podem trazer de diferenciador e interessante à região. Para a organização, a Mascararte é um modo de valorizar a rica tradição popular, de lhe dar mais visibilidade, de atrair visitantes, mas também de perpetuar estes ritos que corriam o risco de se perderem. Conceição Martins, presidente da ESE, sublinhou que, em termos educativos, é fundamental o ensino e aprendizagem desta identidade cultural de um povo.
Espectáculos no Teatro
A Macararte abre no dia um com a inauguração da exposição “Máscaras Rituais do Douro e de Trás-os-Montes”, de Balbina Mendes no Centro Cultural. Além da exposição, a autora irá apresentar um livro, com a mesma designação. O momento alto da Marcararte vai ser, mais uma vez, o Cortejo dos Mascarados, Caretos e Mascaretos, que dá início à folia. Com a colaboração de alunos e professores da Escola Superior de Educação de Bragança e de diversa escolas do ensino básico do concelho, o desfile está a ser preparado e irá iniciar-se, como é costume, no Instituto Politécnico, terminando na Praça Cavaleiro de Ferreira. Nessa praça, “os mascaretos”, de grandes dimensões, ficarão em exposição até à sua respectiva queima, dia onze; evento que marca o fim das festividades. Além dos mascaretos, outros elementos ficarão centrados nesta Praça, como a exposição e venda de máscaras e elementos relacionados e diversos espectáculos musicais. Entre estes destaca-se, no dia seis, a actuação dos pauliteiros de Tábora, Espanha, e dos Pauliteiros de Constantim, Miranda do Douro; estes últimos acompanhados pelo “carocho” da localidade. Dentro de portas, no Teatro Municipal, tem lugar, dia cinco, o espectáculo pelo Grupo Galandum Galundaina e, no dia onze, a actuação de “La Bazanca”. Nesse dia, também no Teatro, após o concerto, decorre a cerimónia de encerramento da Mascararte 2009. Segue-se a queima do mascareto. Uma dos elementos surpresa deste ano será a presença do “Pinóquio”, no último dia. Segundo Fátima Fernandes, esta participação do boneco que faz parte do imaginário infantil pretende trazer uma certa dimensão lúdica mais destinadas às crianças e resulta de uma parceria com a ACERT – Trigo Limpo, de Santa Maria da Feira. Esta entidade tem vindo a organizar o Festival “Imaginarte” que este ano se centrou na temática do Pinóquio. Dai a participação de um boneco de grandes dimensões, feito a propósito daquele festival, nas festividades de Bragança. A acompanhar o Pinóquio, num desfile da Câmara Municipal ao Teatro, estará a Instável Orquestra, também de Santa Maria da Feira, além de gaiteiros e outros grupos musicais.

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