Vila Real // “Tenho os defeitos e as virtudes de um transmontano” Por: / Secção: Cultura / 24-11-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
José Rentes de Carvalho criticou o “novo riquismo” instalado no DouroDefine-se como um “transmontano de coração”, mas vive há mais de 50 anos na Holanda, mais concretamente, em Amesterdão. Nas “Conversas na Vila Velha”, foi questionado sobre tudo e a tudo respondeu, com uma ironia inteligente, que cativou as mais de quatro dezenas de pessoas que encheram o pequeno auditório do Museu da Vila Velha, em Vila Real. A sua obra literária, as suas preferências, o seu olhar sobre o País e a região transmontana foram os principais temas abordados na sessão e na conversa com o Mensageiro.
É mais conhecido e vende mais livros na Holanda do que na sua Pátria, mas isso não o “incomoda”, porque para ele não “importa onde se é conhecido, mas como se é conhecido”. Viveu e continua a viver em Amesterdão, mas grande parte das suas obras retratam Trás-os-Montes e Alto Douro, porque foi ela que o “formou”. “Posso andar por toda a parte, mas tenho os defeitos e as virtudes de um transmontano”, confessou.
Olha de fora a evolução de Portugal e da região, sem quaisquer influências e não deixa de criticar o que se tem feito. “Envergonho-me que estejam a gastar dinheiro em spas e restaurantes de cinco estrelas no Douro, para onde ninguém vai. É uma estupidez, mas é o novo riquismo.” E acrescentou ainda, com “pasmo”, que o País “sempre foi e sempre vai ficar assim, com descuido, preguiça, atraso”. “Só é bom o Sol e o Douro.”
Já passou por muitas cidades europeias, conheceu várias culturas, mas isso “não influenciou” o modo de descrever as histórias dos seus livros. “A minha escrita não tem a ver com lugares ou com as pessoas com quem lido. Não é inspiração, é só trabalho”, salientou José Rentes de Carvalho.
As suas obras são consideradas como “romances e autobiografias”, porque são “pedaços de reminiscências, experiências e conhecimentos”. A “Amante Holandesa” trata muito de Bragança e “quem lê diz que o distrito está retratado tal e qual, mas eu não o conheço”, mencionou, não querendo desvendar o segredo. “Tenho vivido a parasitar nas minhas memórias.”
“Ernestina” é outra das obras sobre a região transmontana, em particular sobre a aldeia de Estevais, em Mogadouro. Neste livro, usa as “memórias da família e da sua infância” para descrever com “dureza” a terra que “nada tinha”, como as fracas acessibilidades e as dificuldades em “ganhar o pão de cada dia”.
Neste momento, José Rentes de Carvalho confessou que se “está a espreguiçar” e que, de vez em quando, “surge um livro”. A sua mais recente obra, editada em 2008, retrata o País onde vive e intitula-se “A Ira de Deus sobre a Holanda”.

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1 Comentário
Fez escola da vida no tempo da miséria, da filoxera e da loucura do Volgfrâmio!
Outro que para ser alguém teve que ir lá para fora!
Ele sabe que a riqueza está nas pessoas e não no que o rio leva por aí abaixo, enquanto cá pelos altos vai sobrando só esperança!
Que Deus o recompense.