Saúde // Dietas à base de produtos naturais “perigosas” Por: / Secção: Actual / 10-04-2008 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Cada vez mais as pessoas compram medicamentos “naturais” para emagrecer desconhecendo os riscos que estes podem acarretar para a saúdeNo rótulo trazem a garantia de que são “completamente naturais” e prometem quase “milagres” a quem os compra com o intuito de emagrecer. No entanto, por detrás da promessa podem esconder-se vários perigos com consequências nefastas para a saúde. A retirada de um destes produtos do mercado, a “Depuralina”, veio alertar a população para os riscos que podem surgir ao usar este tipo de produtos que podem mesmo ser uma verdadeira “caixinha de surpresas”, nem sempre agradável. O Mensageiro ouviu um especialista na área, o nutricionista César Valente, que aconselha as pessoas a não tomar nada, nem sequer os chamados suplementos naturais, por auto-recreação. “Alguns até podem ser úteis mas a maior é desconhecida e apesar de serem naturais isso não significa que sejam inócuos”, explicou. A prestar aconselhamento nesta área em vários centros de saúde do distrito, César Valente admitiu que é com frequência que lhe chegam à consulta pessoas que recorrem a este tipo de produtos para conseguir efeitos mais rápidos ao nível da perda de pesa. O problema é que devido a toda a publicidade e marketing que trazem associados, as pessoas parecem “esquecer” que as plantas podem ter substâncias tóxicas ou que podem interferir com outro tipo de medicação que a pessoa esteja a tomar. Razões que levam o nutricionista a afirmar que confia mais nos produtos químicos do que nestes suplementos naturais. “Os produtos químicos são controlados pelo Infarmed, sabemos que efeitos secundários produzem, quais as contra-indicações e se têm interferência com outros medicamentos”, apontou. Já os produtos naturais, na sua maioria, funcionam apenas como efeito placebo, ou seja, não têm efeito nenhum mas servem de fonte de motivação a quem os toma e procura com isso emagrecer. “Às vezes não têm efeito nenhum mas as pessoas pensam que sim e isso serve de motivação, e assim conseguem seguir com mais facilidade as orientações dos nutricionistas”, explicou. O conselho, no entanto, “é que deixem esses produtos” até porque “não há pílulas milagrosas”.
A solução não está num “comprimido”
A publicidade associada aos produtos naturais é uma das principais responsáveis pela “febre” que leva tantas pessoas a comprar embora assumidamente “ninguém”, ou muito poucos, confirmem que recorrem a estes suplementos para, num curto espaço de tempo, conseguir resultados visíveis. No entanto, a verdade é que as indústrias associadas a estes complementos naturais são uma poderosa máquina solidamente implantada no mercado. A título de exemplo, depois da retirada da “Depuralina” do mercado, os números davam conta que em apenas três meses tinham sido vendidas 165 mil unidades em todo o país. Depois de algumas pessoas terem relatado a ocorrência de efeitos tóxicos graves que foram associados ao uso do referido produto natural, o Ministério da Saúde, em colaboração com o Ministério da Agricultura, mandou suspender a venda. A ministra da Saúde, Ana Jorge, à margem da visita a Bragança, explicou que o produto está agora a ser averiguado com o Ministério da Economia, da Saúde e da Agricultura e só depois serão tomadas medidas. Na opinião do nutricionista, estes produtos vendem muito porque as pessoas “não reflectem naquilo que estão a comprar”. Usando o caso do “Depuralina”, César Valente lembrou que, para além da forte campanha que os responsáveis fizeram nas rádios nacionais, o produto “informava” que “o corpo acumula entre dois a 20 quilos de resíduos” e a sua fórmula “100 por cento natural” ajudava a expulsar estes resíduos, levando assim ao emagrecimento. “Como é que é possível ter 20 quilos de resíduos acumulados no corpo e não ter problema nenhum?”, questionava o nutricionista, criticando os actos irreflectidos de muitas pessoas que vêem nestes produtos uma “pílula milagrosa”. E pior que tudo, na opinião do especialista é que “continuam com os mesmos hábitos alimentares, com os mesmos estilos de vida, convictos que é um comprimido que os vai ajudar a perder peso”. Recorde-se ainda que os produtos naturais apenas têm no rotulo os componentes mas não alertam, porque a legislação não obriga, para os riscos que podem trazer sobretudo se a pessoa for alérgica ou sensível a algum dos componentes.
Exercício é o melhor remédio para emagrecer
Para emagrecer de forma saudável e manter o peso não é preciso fazer “dietas loucas”. Basta simplesmente mudar os estilos de vida sedentários e acrescentar alguma actividade física. Além disso é preciso aprender a comer de forma saudável e isso significa apenas “comer de tudo mas com regras”. “Há uma ideia generalizada de que para emagrecer é preciso passar fome, o que não é verdade. É preciso é aprender a comer da mesma forma que aprendemos a gerir o dinheiro”. Até porque dietas de grande restrição, segundo explicou, podem levar a um desequilíbrio no qual pessoa emagrece rapidamente mas depois ganha o dobro do peso. Já outras vezes pode acontecer que haja uma elevada perda de massa muscular e as pessoas se tornem os chamados “falsos magros”, pessoas que aparentemente são magras mas que têm um excesso de massa gorda. O conselho fica ainda para que as pessoas não sigam dietas “loucas” com promessas de rápidas perdas de peso, já que as consequências para a saúde podem ser muito graves.

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