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Mirandela // Nova dívida coloca em perigo as festas da cidade Por: Fernando Pires / Secção: Actual / 10-04-2008 Imprimir Enviar a um amigo

Comissão da confraria de Nossa Senhora do Amparo coloca a hipótese de se demitir em bloco

A comissão da confraria de Nossa Senhora do Amparo coloca a hipótese de se demitir em bloco, e desta forma fica em perigo a realização das centenárias festas da cidade de Mirandela, marcadas para o período de 25 de Julho a 3 de Agosto. Esta situação fica a dever-se a mais uma dívida que a direcção foi notificada a pagar, que já ascende a mais de trinta mil euros, que vem juntar-se a outros trinta mil que a confraria está a pagar anualmente até 2013. Situação que está a desmotivar os elementos da confraria. Para se perceber a proveniência destas dívidas é preciso recuar ao ano de 1995. Nessa altura, durante o habitual espectáculo de fogo de artifício, um jovem mirandelense foi atingido por uma cana de foguete que lhe provocou lesões graves. O processo foi parar ao tribunal, com a família a pedir uma indemnização de cerca de 450 mil euros, para a vítima e mais 24 mil euros para os pais do jovem para pagamento das despesas suportadas ao longo de vários anos, com os tratamentos, intervenções cirúrgicas, consultas, fisioterapia e medicamentos. Em 1999, o tribunal deu razão aos queixosos, mas a Mesa da Confraria tinha um seguro para este tipo de incidentes cujo valor máximo era de 250 mil euros. A verba foi entregue ao queixoso, mas ficou a faltar cerca de 200 mil euros, para a vítima, mais 24 mil euros para os pais. Em 2005, foi mesmo requerida a execução de uma penhora sobre grande parte dos bens e das fontes de receita daquela confraria, nomeadamente o congelamento das contas bancárias, a penhora de um terreno anexo ao santuário de seis mil metros quadrados, bem como do produto da recolha, aluguer e venda de quotas, petos, casamentos, baptizados, ofertórios, artigos religiosos, donativos, verbenas, subsídios da câmara e junta de freguesia, donativos da procissão, peditório público, publicidade sonora, terrados e leilão. Entretanto, viria a ser obtido um acordo para o pagamento da indemnização ao jovem, que já ascendia a 270 mil euros, ficando estabelecido o pagamento de 30 mil euros durante nove anos. Já foram liquidadas três prestações, mas agora o advogado dos pais da vítima vem reclamar o pagamento da sua indemnização devida, que, com juros de mora, já vai em cerca de 34 mil euros. A actual comissão alega que desconhecia esta dívida, pensando que já estaria incluida no acordo celebrado em 2005. Alfredo Fernandes, da direcção da confraria, diz-se “chocado com a omissão desta dívida”, apesar da empresa de advogados da anterior comissão ter enviado toda a documentação, em correio registado, em Janeiro de 2007, sobre este processo, onde está implícito que o acordo só foi estabelecido para a indemnização a pagar à vítima do acidente. Alfredo Fernandes dá a conhecer que chegou à confraria o pedido de pagamento desta dívida em prestações anuais de cerca de 6 mil euros. Mesmo assim, a direcção considera que é impensável pagar essa quantia. “Vamos propor que seja metade desse valor”, diz aquele elemento da direcção que confessa existir muita desmotivação no seio da comissão, porque sentem estar “a remar contra a maré” e até já houve alguns elementos “a atirarem a toalha ao chão porque não estão para continuar a trabalhar para a festa e ver o dinheiro ir embora”, conta Manuel Barreira, juiz da confraria, admitindo que esta situação pode levar à demissão em bloco da sua direcção.

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