Igreja // Ordenado na Alegria e na Esperança Por: / Secção: O Olhar / 25-09-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Momento de Júbilo em Trás-os-MontesA Diocese de Vila Real viveu, no passado dia 20, um momento de grande júbilo ao ver ordenado mais um bispo transmontano. Manuel da Silva Rodrigues Linda foi nomeado Bispo Auxiliar e rumou a Braga, deixando na região o sentimento de “alegria” pigmentado com o de “perda”. A cerimónia teve a presença de 23 bispos e mais de centena e meia de padres, vindos das mais diversas partes do País. O ordenante principal foi o Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, que evocou, durante a sua homilia, D. Manuel Linda como exemplo de que “os bons pastores nascem das boas ovelhas e não são as ovelhas que nascem dos pastores”. A cerimónia estava marcada para as 16h. O dia era convidativo a um passeio depois da sesta, mas foi trocado pela presença na ordenação de mais um bispo da região. Pouco depois da hora prevista, começou a celebração, com a igreja de Nossa Sra. da Conceição carregada de fiéis movidos pela curiosidade, orgulho e esperança. Manuel Linda, esse, estava igualmente a abarrotar, mas de “nervoso miudinho”. “É um dia de grande felicidade, mas não deixa de ser de nervosismo”, confidenciou este natural de Resende, Diocese de Lamego. Apesar da ansiedade, não perdeu a graça perante a insistência dos jornalistas: “como sabem, é a primeira vez que passo por isto”. Tem agora 53 anos e é o mais velho de uma família de três irmãos. Foi ordenado Presbítero em Junho de 1981, praticamente quatro meses depois de ter sido nomeado Diácono. “É este presbítero que, ao longo de 28 anos, que tenho exercido com tranquilidade e simplicidade. Nele contava permanecer até ao fim dos meus dias”, afirmou neste início de ministério. Porém, o Episcopado foi o novo rumo escolhido para D. Manuel Linda, que foi nomeado por Bento XVI, no passado dia 27 de Junho, como Auxiliar da Diocese de Braga, com o título de Case Mediane. Pela frente, este novo Bispo sabe que terá de enfrentar a descrença de uma sociedade contemporânea. Por isso, a frase-motivo escolhida por Manuel Linda foi rebuscada ao sintético apelo de S. Paulo: “Sede alegres na esperança”. “Face a tantas esperanças frustradas, a que o homem e a sociedade contemporâneas lançaram mão e que se vieram a revelar outras tantas des-esperanças ou desesperos, no meu ministério como bispo proclamarei que aquilo que falta hoje é o sentido, o porquê e o para quê daquilo que fazemos e vivemos.”
Episcopado tem de ser vivido com alegria
Para tais dificuldades também o haveria de alertar publicamente o seu ordenante, durante a homilia da ordenação. D. Joaquim Gonçalves contrastava a sua experiência com o nervosismo irremediavelmente indisfarçado nos olhos de Manuel Linda. “O episcopado, como um serviço à igreja, tem de ser vivido pelo próprio com grande encanto”, começou por ensinar D. Joaquim Gonçalves, prosseguindo depois que o novo bispo “tem de entrar no esquema governativo, mas no seu coração tem de ter encanto”. “O ministério episcopal é hoje particularmente difícil devido às resistências do Mundo e alguma desorientação dos fieis, causadas pelo naturalismo e cultura exagerada do bem-estar e opinião pessoal.” Assim, a única forma de combater este estado de coisas, segundo o seu ordenante, é manter “um grande espírito de fortaleza”. “A resistência da cultura actual, que parece não precisar de Deus e que tudo no Mundo se vive sem a presença do sobrenatural, uma resistência que não é uma perseguição violenta, mas uma perseguição psicológica muito grande, requer do bispo um grande espírito de fortaleza perante a indiferença ou apatia perante as crenças religiosas”, alertou D. Joaquim Gonçalves.
Por dentro da cerimónia
Seguiu-se a promessa do eleito na cerimónia, que teve como co-ordenantes D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga, e D. Rino Passigato, Núncio Apostólico em Portugal. Já como D. Manuel Linda comprometia-se novamente com o Senhor. Prostrado por terra diante do altar, o novo bispo ouvia a ladainha de todos os santos, antes de sentir a Imposição das Mão e a Oração de Ordenação, pelos bispos ordenantes. Noutros actos simbólicos, D. Manuel Linda recebeu a Unção, a entrega em mão do Livro dos Evangelhos, do anel, a imposição da mitra e do báculo. A rosa foi o símbolo de expressão plástica escolhido para a cruz peitoral, anel e báculo do novo bispo. É a expressão de Maria de Nazaré, a Mulher Nova por excelência, a quem o povo cristão atribuiu o título de “Rosa Mística”. “Assumo-a como referência a Deus que é o sumo Bem e o sumo Belo e como metáfora da ressurreição do seu filho Jesus Cristo, primícia do homem novo e do tempo novo”, justificou D. Manuel Linda. O novo Bispo Auxiliar de Braga era então um homem feliz, mas ciente da “difícil” tarefa que o aguarda. “Fui-me habituando a servir a igreja muito antes de ser padre, mas muito mais depois de ser padre. É uma tarefa difícil e diferente que me pedem, mas é na mesma linha, servir a igreja.” Para isso, D. Manuel Linda promete continuar a “percorrer um caminho que se faz caminhando”. “Procurarei seguir este ministério com simpatia, com optimismo e com uma presença junto das principais dificuldades sociais, particularmente os mais pobres, desempregados, sem abrigo”, explicou. Região de “sacrifício” Nos últimos 21 anos, este é o quarto bispo proveniente do Clero da Diocese de Vila Real. Porém, durante a homilia, o ordenante D. Joaquim Gonçalves acresceu a este número o Bispo de Bragança-Miranda, D. António Moreira Montes, este natural do concelho de Vila Real, nascido em São Tomé do Castelo. Partidos da diocese vila-realense, além de D. Manuel Linda, são os bispos de Leiria-Fátima, D. António Marto, de Setúbal, D. Gilberto dos Reis, e o co-adjutor de Vila Real, D. Amândio Tomás. Para D. Joaquim Gonçalves esta sempre foi uma região que “deu muitos bispos, mesmo quando não era diocese e pertencia a Braga”. “Já contei mais de vinte, que foram para o Porto, Lamego, África e Oriente. São homens saudáveis e com grande espírito de sacrifício e que foram convidados a pegar na cruz ao serviço da igreja”, avaliou. Pode ser, assim, considerada uma “terra generosa”, que confunde então dois sentimentos a cada ordenação episcopal. “O primeiro é uma perda, porque é um padre que ocupava um lugar de relevo com influência na pastoral e, nesse aspecto, perdemo-lo para outra diocese. O outro aspecto é que na igreja as coisas são assim. Vivemos de transplantes, muda-se um padre daqui para acolá, mas fica sempre dentro da mesma igreja”, concretizou D. Joaquim Gonçalves, completando depois que este é “o jogo da nossa fé: perder para ganhar”. D. Manuel Linda chegará a Braga na próxima semana, dia 28, para ser empossado nas novas funções, “entre as quais a de Vigário Geral da Arquidiocese”, com a sua apresentação pública prevista para 4 de Outubro, na Sé Catedral de Braga, coincidente com a abertura do ano pastoral de 2009-2010.
Perfil
D. Manuel Linda nasceu a 15 de Abril de 1956 na Freguesia de Paus, no concelho de Resende, distrito de Viseu, pertencente à Diocese de Lamego. A sua Ordenação Presbiteral ocorreu a 10 de Junho de 1981, depois de ordenado Diácono a 22 de Fevereiro desse mesmo ano. Como funções sacerdotais, foi Pároco, Assistente Diocesano da Acção Católica, Capelão Militar no RI 13 (Vila Real), Promotor de Justiça e Defensor do Vínculo no Tribunal Eclesiástico Diocesano, entre outras. Foi também membro da equipa diocesana responsável pela Pastoral Juvenil e pelo Movimento dos Convívios Fraternos. Era, actualmente, Reitor do Seminário de Vila Real, Vigário Episcopal para a Cultura, Coordenador da Pastoral, Director da Casa Diocesana/Centro Católico de Cultura, Capelão da Escola de Donas de Casa (Santa Casa da Misericórdia de Vila Real) e Assistente Eclesiástico da ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores). Entre estes cargos, a sua missão assumia ainda a divulgação da fé através dos media, com a colaboração com o Mensageiro.

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