Distrito de Vila Real // CDU “varreu” à esquerda e à direita no debate com PS, PSD e BE Por: / Secção: Actual / 18-09-2009 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
CDS-PP faltou ao primeiro debate com os candidatos à AR pelo distritoO primeiro frente-a-frente que pretendia reunir na mesma mesa os cabeça-de-lista dos cinco partidos políticos com assento parlamentar acabou por ser um confronto a “quatro”. A candidata da Centro Democrático Social (CDS-PP) acabou por não aparecer e restaram então os representantes do Partido Socialista (PS), do Partido Social Democrata (PSD), da Coligação Democrática Unitária (CDU) e do Bloco de Esquerda (BE). No esgrimir de argumentos, a CDU mostrou-se “por dentro da região” e acabou por levar a melhor sobre os seus opositores. O debate foi organizado e transmitido pela Rádio Universidade e acompanhado integralmente pelo Mensageiro. Depois de ouvirem diversas opiniões de anónimos sobre o “estado da nação”, abriu-se o debate. Pedro Silva Pereira, do PS, começou por realçar que o descontentamento com o panorama nacional se “deve à crise mundial”, que “não é invenção, mas sim uma realidade”. “Ninguém inventou a crise e as análises que a desvalorizam não são sérias”, realçou Silva Pereira, acrescentando que “Portugal foi um dos primeiros países a sair da recessão técnica”. “Em devido momento, o Governo tomou uma atitude pró-activa e interveio para estabilizar o sistema, apoiar as empresas, salvaguardar o emprego e ajudar as famílias.” Seguiu-se o realçar do “investimento” feito nos últimos quatro anos no distrito que, segundo o socialista, ultrapassou os 3,8 mil milhões de euros, desafiando qualquer dos candidatos a “apontar um outro período da história em que tenha havido mais investimento público” sem, no entanto, obter resposta. Com direito à palavra, Montalvão Machado, cabeça-de-lista pelo PSD, começou ao ataque, referindo que o descontentamento popular não era com os políticos, “mas com a actuação governativa dos socialistas”. “O PS governou contra médicos e utentes dos serviços de saúde, contra professores, juízes, advogados e voltou o País contra ele.” Montalvão Machado terminou o seu primeiro período referindo que “só há uma opção: ou continuam com esta política ou querem mudança e, com devido respeito pelos restantes candidatos, só pode ser o PSD”. A CDU apresentou-se com “o único candidato que nasceu, trabalha e vive no distrito”, Manuel Cunha, e mostrou na primeira intervenção que não pouparia nenhum dos “adversários políticos”. “Queria pedir desculpa por ser o único presente no debate nestas condições”, ironizou, antes de apelidar os dois principais partidos, PS e PSD, de serem “campeões do exercício de apagar a memória”. “A anterior candidata do PSD nunca aqui pôs os pés, o que é um sinal da forma de fazer política. O mesmo se vê pelas poucas contas prestadas pelos deputados eleitos pelo PS, como Ascenso Simões, que não representou os problemas do distrito”, acusou. Já sobre os investimentos que Silva Pereira referiu, Manuel Cunha lançou nova carga de ironia. “Como os governantes não vivem na região pensam que ela pode ser perfeitamente inundada”, afirmou, apresentando o exemplo da “Barragem de Vidago”. “De repente, subiu mais dez metros de altura, para muitos não é nada, mas quase que duplica o armazenamento da água e o negócio da empresa à custa das populações.” Já Alda Macedo, do BE, mostrou-se frontal no ataque à política socialista dos últimos quatro anos, pedindo “mais desenvolvimento, mais justiça no emprego e na própria justiça”. A bloquista acusou ainda que a “política de investimento” tão aclamada pelos socialistas mais não é que “enganadora”. “O grande investimento público é nas grandes metrópoles do Litoral. O plano regional tem 70 por centro para as metrópoles do Litoral e 30 por cento para o Interior”, revelou, pedindo também mais “transparência na utilização dos recursos”.
Pela UTAD, os lapsos do PSD e os recados do PS
Introduzida a primeira questão do debate, formulada pelo reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Mascarenhas Ferreira, motivou acusações aos socialistas, mas foi a intervenção de Montalvão Machado que abriu margem ao ataque à direita. O Reitor da academia pediu esclarecimentos sobre a ajuda na “sustentabilidade financeira” da instituição e, num segundo plano, um parecer sobre a importância dos projectos de criar um Mestrado em Medicina e do Parque de Ciência e Tecnologia. Alda Macedo “atirou-se” novamente à política representada por Silva Pereira e esgotou o tempo defendendo um “novo modelo de financiamento das universidades”, sem, contudo, apresentar uma ideia concreta. Para a candidata do BE, o problema é o regime de financiamento do ensino superior, que levou a um estrangulamento e que impede o financiamento de projectos autónomos, onde “os alunos são fonte de financiamento, têm de pagar e são oportunidade de negócio”. O candidato do PSD congratulou a UTAD por ser “um exemplo e um caso de sucesso”, mas vacilou quando referiu que a academia deveria “abrir mais pólos”, numa altura em que se encerra o Pólo da UTAD em Miranda do Douro e se debate a sustentabilidade do de Chaves. Montalvão Machado viria ainda a cometer outro lapso quando se pronunciou sobre o pólo flaviense. “O Pólo de Chaves está desejoso de ter mais cursos na área da saúde e tem sido uma área em que tem trabalhado.” A esta gafe não perdoou o candidato da CDU que “abriu a ferida”. “O pólo universitário de Chaves não tem, nem quer fazer cursos na área da saúde. Há, isso sim, uma Escola Superior de Enfermagem em Chaves, promovida por concelhos do Alto Tâmega”, clarificou. Depois virou-se à esquerda e atacou o PS, pela “incapacidade” de aproveitar os dinheiros públicos investidos na construção dessa nova Escola, “utilizada a 30 por cento”, com a instalação aí dos cursos que funcionam no Pólo da UTAD, sem as melhores condições. Sem perder o tom, Manuel Cunha criticou a forma como se olha para a UTAD “como instituição do distrito de Vila Real e não de toda a região, como o nome indica”, pedindo políticas concretas para o desenvolvimento do Pólo de Miranda do Douro. A vez de Silva Pereira chegou para passar uma espécie de recados à reitoria. “Quando pergunta se há disponibilidade para ajudar a UTAD, eu não respondo com promessas, mas com factos”, referiu o candidato socialista ao Reitor da academia. “Quando a UTAD teve dificuldades e precisou do apoio do Governo em termos financeiros, a resposta foi positiva em 2007, com 5,8 milhões de euros, e em 2008, com 4,3 milhões. Quando precisou de apoio para projectos estruturantes como o Hospital Veterinário e o novo edifício de Ciências Veterinárias e Biológicas, o Governo esteve lá”, lembrou Silva Pereira, reforçando que foram “mais de 12 milhões de euros”. Quanto ao Parque de Ciência e Tecnologia e Mestrado em Medicina, os quatro candidatos salientaram a importância dos projectos.
Regionalização, o PSD “tem abertura”, BE, CDU e PS unidos
Na segunda ronda, o debate teve sobre a mesa as questões dos presidentes das associações de municípios do Vale do Douro Norte e do Alto Tâmega, José Marques e João Baptista. O primeiro pediu uma reflexão sobre o tema regionalização e o segundo evocou a saúde, com a intenção de saber as opiniões sobre uma Unidade de Saúde (US) em Chaves. Quanto à regionalização, Montalvão Machado referiu que o PSD tem agora “abertura para o tema”, quando já teve uma posição contra no passado, mas justificou. “Passou muito tempo e há ventos de mudança, alguns mantêm-se algo cépticos, mas há-de ser um tema debatido. Uma discussão ouvindo os autarcas sobre os desenhos que se podem fazer sobre o mapa.” Quem aproveitou a deixa voltou a ser a CDU que voltou a criticar, tanto à esquerda como à direita. “PS e PSD de forma irresponsável e leviana fugiram da regionalização, dividiram a região de uma forma que merecia um processo em tribunal pela organização que fizeram do País”, dando os exemplos da reestruturação da saúde, em que Chaves está ligada a Vila Real, e nas comunidades urbanas, em que o Alto Tâmega se liga a Bragança. Manuel Cunha reforçou ainda que “a CDU defende a regionalização, de forma clara, e rapidamente implementada para que os centro de decisão venham para a região”. Neste tema, Alda Macedo defendeu a “regionalização de forma célere”, para que se possa eliminar o “escândalo nas desigualdades nos investimentos”. Já Pedro Silva Pereira aproveitou para se colocar ao lado da CDU e BE criticando a falta de posição do PSD, considerando ser um “apagão”. “Fico estupefacto com a posição do PSD que não sabe o que pensa.” Por isso, vincou a ideia de que o PS continuará a defender a regionalização.
Unidade de Saúde em Chaves
Quanto à questão de João Baptista, Silva Pereira e Manuel Cunha debateram praticamente a sós. O primeiro foi acusado de não ter aprovado a US em Chaves há três anos, por Manuel Cunha, mas defendeu-se que, “actualmente, as circunstâncias são diferentes”. Por seu turno, Manuel Cunha lembrou que “conhece bem do que fala”. Esgotado o tempo de duas horas, ficaram várias perguntas e temas por responder, mas prevaleceu a ideia de que a CDU conhece bem os terrenos onde pisa e deu-se bem com as temáticas levantadas. Porém, no final da sessão, os quatro candidatos estavam satisfeitos com o seu desempenho e lamentaram a ausência, não justificada, de Ernestina Ferreira, candidata pelo CDS-PP.

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