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. // Viver um cristianismo com piada Por: José Tolentino Mendonça, Agência Ecclesia / Secção: Editorial / 23-08-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

O cristianismo não é propriamente conhecido por ser a religião da alegria, e é uma pena

Se dissermos que Deus é Amor, ninguém se espanta. A afirmação tornou-se até um pouco banal à força da repetição. Mas se dissermos que Deus é Humor, ficamos em estado de alerta, porque nos parece que alguém está a tentar entrar, no território de Deus, “pela entrada dos fundos” e não pela “porta principal”. A verdade é que o Amor não dispensa o Humor. O cristianismo não é propriamente conhecido por ser a religião da alegria, e é uma pena. «O cristianismo seria muito mais credível se os cristãos vivessem em alegria», escreveu Nietzsche, e não podemos dizer que sem razão. O nosso testemunho fica muitas vezes refém de uma gravitas insonsa. Esquecemos demasiado o Evangelho da alegria que arrisca-se a tornar uma espécie de tópico marginal. Por exemplo, quando citamos uma frase bíblica, raramente ela diz respeito à alegria. E, no entanto, a Bíblia é uma espécie de gramática do Humor de Deus. Por incrível que pareça, aquela biblioteca tão séria é também hilariante e está cheia de risos, embora esta dimensão seja, entre nós, escassamente referida. Há páginas que constituem um puro alfabeto da Alegria e muitos momentos que só são compreendidos por quem arriscar sorrir. É que a Revelação de Deus propaga-se numa dinâmica que é claramente jubilosa. Talvez tenhamos de levar mais a sério o verso brincado que o Salmo 2 nos segreda: «O que habita nos Céus, sorri». Ou perceber que a expressão crente é chamada a desenvolver-se como uma coreografia festiva, à maneira do que descreve o Salmo 33: «Alegrai-vos no Senhor, louvai o Senhor com cítaras e poemas, com a harpa das dez cordas louvai o Senhor; cantai-lhe um cântico novo, tocai e dançai com arte por entre aclamações». O humor abre espaço nas nossas vidas à surpresa. Rimo-nos porque, sem esperarmos, uma palavra cheia de graça vem ao nosso encontro. Na verdade, também a Fé não é, de todo, uma experiência previsível, um mapa prévio muito detalhado, mas uma abertura ao inesperado de Deus que nos convoca...

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1 Comentário Feed

Serafim Falcão · escreveu em 09-12-2009 às 01:16:31
Que pena, só agora(08/12/20099, ler esta preciosidade. Limito-me a repetir o supra escrito: «O cristianismo seria muito mais credível se os cristãos vivessem em alegria».
Estou a ver os cristãos a ir para, estar nas e a regressar das igrejas, aos domingos... Como estão longe do Salmo 122(121)”Exultei quando me disseram:”Iremos à casa do Senhor”. Com a mesma cara e tom de voz com que cantamos "pequei, Senhor..." cantamos o "Aleluia"...
Poderá contribuir o falar-se mais e soltar a aragem fresca, matinal e alegre do Concílio Vaticano II, de há quase 50 anos e que tem sido tão esquecido...; pregar-se mais " Cristo e Cristo..." RESSUSCITADO. Sem esquecer a Cruz – a vida não no-la deixa esquecer – é vivendo a RESSURREIÇÃO que nos distinguimos… Eu penso que não há amor sem humor… A grande e oportuna mensagem da Igreja na e para a actualidade será mostrar o rosto do Ressuscitado.
.m.falcao@gmail.com
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