. // Somos um povo de emigrantes Por: / Secção: Editorial / 16-08-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
.A Igreja celebra a 37.ª Semana Nacional de Migrações, que em Portugal teve como um dos seus pontos culminantes a Peregrinação Internacional do dia 12 e 13 de Agosto, em Fátima. Presidiu a esse encontros de emigrantes D. Alessandro Ruffinoni, bispo auxiliar do Arcebispado de Porto Alegre, Brasil, e responsável, no seu país, pela Pastoral da emigração. Em declarações à sala da imprensa do Santuário referiu que “a realidade da mobilidade humana constitui o maior movimento de pessoas de todos os tempos. Não há lei que possa deter este fenómeno que é antigo quanto a humanidade. O migrante não pode ser visto como problema nem pela Igreja, nem pelo Estado. Na Igreja ninguém é estrangeiro. Ela é como uma mãe que acolhe, estima e valoriza a todos, porque todos são seus filhos e filhas. O pai dos migrantes, João Batista Scalabrini dizia: ‘...emigra o homem, guiado pela Providência...’. Os migrantes são muitas vezes ocasião de comunhão, diálogo, integração. Eles não só precisam de acolhimento e trabalho, mas também eles trazem consigo uma riqueza de fé, de cultura e tradições que enriquecem os povos que os acolhem”. Tradicionalmente somos considerados um povo acolhedor. Não se espera uma outra atitude de um País com uma longa tradição de emigração. Foram muitos os portugueses que se aventuraram para outras paragens, à procura do emprego que lhes era recusado no seu país e por lá singraram e subiram na vida, a pulso. É natural que, agora, acolhamos bem os que vêm para o nosso país, fugindo de situações precárias nos seus locais de origem, ou à procura de condições de vida que lá não tinham. A Igreja em Portugal tem-se empenhado em promover uma boa integração dos emigrantes e tem-se esforçado por acompanhar os nossos conterrâneos no estrangeiro. São muitas as missões católicas espalhadas pelo mundo, sustentadas e mantidas pela Igreja Portuguesa. Infelizmente, devido à falta de vocações sacerdotais, os bispos portugueses e as congregações religiosas do nosso país têm cada vez mais dificuldade em colocar sacerdotes no exterior. São muitos os emigrantes que, durante este mês de Agosto, se queixam de terem perdido o seu padre e se vêm obrigados a percorrerem longas distâncias para participarem numa “missa portuguesa”. Mas, para além desse trabalho de acompanhamento dos emigrantes, a Igreja, não só em Portugal mas em todo o mundo, tem-se empenhado em defender os direitos dos emigrantes, nos mais diversos fóruns internacionais. Segundo o responsável nacional por esta área, o Pe. Rui Pedro, Missionário Scalabriniano, num texto publicado pela Ecclesia, a Igreja está atenta a “Legislações repressivas que, não facilitando a admissão através de canais ágeis e legais, lançam muitos candidatos à imigração nas mãos de traficantes e terríveis intermediários. Leis que empurram imigrantes para a ilegalidade, deixando-os ao deus-dará no clandestino mar da esperança em que se tornou o Mediterrâneo e, cada vez mais, também outras ilhas e costas atlânticas, pacíficas e índicas”. Em sintonia com este esforço da Igreja, todo o cristão deve contribuir para um bom acolhimento dos emigrantes, evitar atitudes xenófobas e ou racistas e denunciar todas situações de exploração dos emigrantes, para que estes não sejam obrigados a enveredar por caminhos de criminalidade e marginalidade, que põem em causa a segurança de todos nós.

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