. // Como se faz um Bispo Por: / Secção: Editorial / 07-07-2009 Imprimir Enviar a um amigo
.Várias vezes, pessoas, mais ou menos ligadas à Igreja, me têm perguntado como se chega a bispo. Se é por concurso, graças ao curriculum ou por mérito? De grosso modo pode-se dizer que a bispo se chega como a padre. Nunca por concurso, ou pelo curriculum, ou por mérito próprio. É uma vocação. Acreditamos que é um chamamento de Deus a um serviço particular na Igreja de Jesus Cristo, seja o de bispo ou o de padre. A escolha é divina, o discernimento, se este ou aquele reúne as qualidades necessárias para o exercício do ministério sacerdotal, é feito pelas comunidades, pelos superiores dos seminários e pelo bispo. Por vezes, Deus até escolhe aqueles que, segundo os critérios humanos, não possuem as qualidades requeridas ao sacerdócio. Pensemos no Santo Cura de Ars, cuja celebração dos 150 anos da sua morte decorre este ano. Para chegar ao sacerdócio teve de enfrentar as desconfianças do superior e a dificuldade em concluir os seus estudos sacerdotais. Dadas as suas limitações intelectuais, os superiores nem lhe queriam dar autorização para confessar. Mas, por vontade de Deus, foi no atendimento aos penitentes, que acorriam de toda a França, para a ele se confessarem, que veio a destacar-se. Os homens não o acharam digno do sacerdócio, graças à sua dedicação e ao seu esforço, Deus fez dele um modelo de santidade. Alguns acreditam que para chegar a sacerdote, e sobretudo a bispo, basta o esforço pessoal e um percurso de vida orientado e submetido a esse desígnio pessoal. A Igreja não é imune a uma perspectiva carreirista do sacerdócio ou do Episcopado. Logo, num dos seus primeiros discursos, o Papa Bento XVI, dirigindo-se à Pontifícia Academia Eclesiástica, onde são formados os diplomatas da Igreja, apelou aos sacerdotes daquela instituição para que nunca se deixassem “tentar pela lógica da carreira e do poder”. O Papa reconheceu, assim, que a Igreja não é imune ao carreirismo. É certo que alguns conseguem, na sua perspectiva, “ascender” ao presbiterado ou ao episcopado, cumprindo um plano que tudo submete a essa pretensão, muitas vezes travestida de “serviço à Igreja”, que não passa de uma estratégia para atingir esse objectivo pessoal. De alguns, Deus consegue fazer uns excelentes sacerdotes e até bispos. Mas o desejável é que, na Igreja, cada um se esforce por desempenhar a missão para a qual é chamado por Deus e que aceite, com humildade e dedicação, o chamamento a uma função específica, como a de ser bispo da Igreja. D. Manuel Linda, recentemente designado bispo auxiliar de Braga, em declarações ao Mensageiro fez questão de sublinhar que não entende a sua nomeação como um “reconhecimento”, mas como um apelo da Igreja para continuar a servir a Deus, agora sob a orientação pastoral de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga. Parte para Braga com o optimismo na bagagem e levando no coração o amor à sua diocese de acolhimento, Vila Real. Certamente, irá desempenhar bem a sua missão episcopal na Arquidiocese de Braga e esperamos vê-lo, dentro em breve, a assumir uma diocese de Portugal, como seu titular, se essa for a vontade Deus e a Igreja assim o entender. Ao D. Manuel Linda desejamos os maiores sucessos apostólicos, nas tarefas que lhe venham a ser confiadas e agradecemos a colaboração discreta, mas relevante, que prestou ao Mensageiro durante alguns meses.

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