Região // Estimular a fé pela música Por: / Secção: O Olhar / 12-06-2009 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Tadeu Filipe percorre todas as semanas a região transmontana para dirigir os coros que todos os domingos participam nas celebrações litúrgicas. É dos melhores organistas do país, mas isso não o impede de se dedicar de corpo e alma a um trabalho queTadeu Filipe era o organista titular do órgão histórico e responsável da música sacra da Igreja Paroquial de Matosinhos, onde fundou e dirigiu a Escola de Música daquela paróquia. Com um vasto currículo musical na área de organista litúrgico e de concerto, Tadeu Filipe não resistiu ao desafio de vir até ao interior dirigir coros de pequenas paróquias, porque acredita que para se fazer algo bom “não é preciso sair do país”. Tudo começou há cinco anos atrás, quando o organista, ainda a viver no Porto, foi convidado para ir ver um órgão de tubos numa aldeia vinhateira do concelho de Sabrosa, Provesende. Apesar de não ser organeiro, aceitou o convite para conhecer melhor a relíquia e foi então que o pároco local, o P. António Areias, o desafiou a trabalhar com o coro da aldeia. Havia interesse das pessoas e a presença de Tadeu Filipe seria uma boa forma de começar a trabalhar. Tadeu aceitou, para surpresa do pároco que já contava com uma resposta negativa. Uma vez por semana, acompanhado da esposa, Helena Loureiro, também ela organista, Tadeu ensaiava o pequeno coro. A aceitação foi tão boa que rapidamente o trabalho do casal se alargou a outras paróquias da zona vinhateira e as viagens começaram a ser mais frequentes. A ideia de se mudarem para o interior começava a germinar quando Tadeu foi convidado para trabalhar com o Seminário de Vila Real e, mais tarde, com o Conservatório Regional de Vila Real. “Chegamos a um ponto em que pensamos em arriscar e mudar, partir para um projecto completamente novo”. Havia também o risco. As pessoas podiam participar, no início, e vir depois a desistir, com o tempo. No entanto, o casal conseguiu estabelecer com as populações locais uma espécie de compromisso que não foi preciso verbalizar: se eles iam e estavam presentes, as pessoas já lá estavam. Entretanto, Tadeu Filipe conhece o P. Francisco Pimparel, pároco de Sambade e de outras aldeias do Nordeste Transmontano. Francisco Pimparel frequentava as aulas de órgão no Conservatório Regional de Vila Real e sabendo do trabalho que Tadeu vinha desenvolvendo, decidiu também desafiá-lo a ir até Sambade e refundar o coro então existente. Já a dirigir 10 coros na região, a dar aulas no Seminário e no Conservatório de Vila Real, Tadeu e a sua esposa decidiram então, há dois anos atrás, fixar-se de vez em Provesende. “Diz-se que quem está bem, não muda. Mas foi como que um chamamento. Tudo tem princípio, meio e fim, tem é que se saber sair”, contou. Para Tadeu, a experiência tem sido bastante positiva e tem-lhe permitido trazer ao interior concertos de música sacra de grande qualidade. Encarando a profissão quase como uma missão, o casal percorre toda a região, durante todo o ano, e nem no Verão falham. “Esta é a nossa vida, é a nossa profissão e não podemos deixar de estar presentes no Verão, sobretudo porque é nessa altura que acontecem as festas mais importantes das localidades”. O profissionalismo e dedicação que imprime ao seu trabalho leva a que as pessoas mantenham o compromisso e apareçam nos ensaios regularmente e não apenas para os “dias de festa” até porque “todos os domingos são Dia do Senhor”.
Evangelizar pela música
Conhecido dentro do meio musical, Tadeu Filipe tem conseguido trazer ao interior concertos de música sacra de grande qualidade. Estas iniciativas inéditas, realizadas nas pequenas paróquias, são vistas pelo organista como uma forma de “evangelizar” pela música e também para dar a conhecer os grandes compositores de música sacra portugueses. Por vezes, a assembleia é também levada a cantar, o que os torna parte integrante do concerto. “É interessante porque conseguimos ter as igrejas completamente cheias e vamos evangelizando as pessoas assim”. Tadeu Filipe lembra também que a música faz parte da própria celebração litúrgica e que todo este seu trabalho, a par com o da sua esposa, só tem sido possível porque há párocos que gostam e se interessam pela música sacra. Para o organista não há nada pior que um coro a cantar uma música alegre sem qualquer motivação ou espírito de júbilo. Por isso, o seu trabalha passa também por “ajudar as pessoas a viver melhor a liturgia”. Segundo Francisco Pimparel, através destas iniciativas, a vivência da comunidade melhorou muito e o grupo coral que já existia “ficou mais amadurecido”. Exemplo disso foi a iniciativa promovida em Sambade, na altura da Páscoa. Na Sexta-feira Santa, Tadeu Filipe e o P. Francisco Pimparel, preparam as pessoas para um momento musical diferente, sem palmas. Com a Igreja Matriz quase na penumbra e mergulhada num silêncio de morte, foi protagonizado todo o percurso da Quaresma à Sexta-feira Santa, através dos cânticos. Com formação académica superior de organista e formação na Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos do Porto, na classe de órgão (vertente litúrgica), Tadeu Filipe acredita que a música pode ser um bom meio para aproximar os católicos da Igreja. É por isso que, conjuntamente com os párocos com os quais tem vindo a trabalhar, Tadeu tem vindo a amadurecer a ideia de criar uma Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos em Vila Real e em Bragança. Nestas escolas, os leigos teriam a oportunidade de aprender as regras, postura e atitudes a ter em determinadas celebrações. São escolas que formam leigos para o exercício de vários ministérios, como seja, Leitores, Acólitos, ou Música Sacra (Salmistas, por exemplo). No entender de Tadeu Filipe a criação de duas Escolas Diocesanas na região seria uma boa forma de aproximar as pessoas da Igreja e de valorizar a celebração litúrgica. Mas esse é um trabalho de “formiguinha” e que levará o seu tempo a chegar a bom termo porque, acima de tudo, é preciso que haja párocos que reconheçam a importância da música e que consigam motivar as pessoas a celebrar todos os Domingos.
Biografia
Tadeu Filipe nasceu em S. Paulo, no Brasil, mas desde cedo veio viver para Portugal. Estudou na Academia de Música Óscar da Silva, em Matosinhos, na classe de piano e prosseguiu os estudos no Conservatório de Música do Porto, com Vitali Dotsenko. Com cerca de 20 anos e sensibilizado, dentro da sua paróquia, para a falta de organistas, problema que ainda hoje subsiste, decidiu virar-se para o órgão. Ingressou então na Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos do Porto, onde teve classe de órgão com a professora Rosa Amorim. De seguida iniciou o Curso Nacional de Música Sacra, em Fátima, e, mais tarde, frequentou a Licenciatura em Ensino de Música da Universidade de Aveiro. Em Matosinhos foi o organista titular e responsável de música sacra da Igreja Paroquial de Matosinhos. Fundou aí uma Escola de Música que dirigiu até 2005. Frequentou vários cursos internacionais onde contactou com grandes nomes da música sacra. Realizou vários concertos em diversos pontos do país e, a partir de 2006, ajudou a refundar os coros de pequenas aldeias da região transmontana. É docente no Seminário Maior do Porto, no Seminário do Bom Pastor, no Seminário de Vila Real e no Conservatório Regional de Vila Real. Em 2006 formou também o coro Cappella Douro – Ensemble Vocal, um coro formado por pessoas dos concelhos vinhateiros que tem mostrado em Trás-os-Montes o melhor da música sacra portuguesa.

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3 Comentários
Este homem foi meu professor de música no Seminário do Bom Pastor, em Ermesinde. Foi ele que me pôs a tocar na Missa.
Viva o professor!!
O melhor Organista de Portugal e meu professor no seminario do Bom Pastor em Ermesinde!!!!!
Nao ha palavras parabens!!!!!!