. // Estes políticos são mesmo loucos Por: / Secção: Editorial / 24-05-2009 Imprimir Enviar a um amigo
.Há dias, na inauguração do museu de Arte Sacra em Macedo de Cavaleiros, o ministro da Cultura, parafraseando a famosa frase dos livros do Astérix, fez a sua interpretação ao contrário. Nos livros de Banda Desenhada, loucos eram os romanos. Para o ministro, loucos são os gauleses, obstinados em defender o seu território contra a ocupação romana, ou a romanização, se preferirmos. Como loucura é defender a preservação da língua mirandesa. Vamos considerar esta expressão ministrial, que compara os mirandeses aos loucos gauleses, um deslize infeliz do responsável pela cultura deste país, senão poderíamos achar que teve a ousadia de nos vir insultar à nossa terra. Mas terá que ter mais cuidado o senhor ministro porque já vimos antecessores seus serem demitidos por lapsos infelizes. Neste Governo é difícil isso acontecer, até porque já outros ministros meteram a “pata na poça”, bem fundo, e nada lhes aconteceu. Contudo, é estranho que um ministro da Cultura, mesmo sublinhando a dificuldade em defender uma língua minoritária, não seja o primeiro interessado em preservar e até dinamizar esse bem cultural, que é o Mirandês. Pensava que o ministro da Cultura tinha como principal objectivo a dinamização cultural do país. Vamos continuar a acreditar que foi um lapso infeliz e de facto ele está preocupado com a cultura deste país e com a promoção da sua diversidade. Não é seu objectivo promover a “romanização” do mirandês, porque, caso contrário, temos de adaptar de outra forma a expressão dos gauleses: Estão loucos estes políticos. Neste mundo contemporâneo globalizado e americanizado é cada vez mais difícil manter as especificidades de cada país. Com a pressão dos meios de comunicação social, estão a entrar tradições como a do Halloween ou do Dia dos Namorados, o nosso Menino Jesus foi destronado pelo Pai Natal e, qualquer dia, em vez de celebrarmos o 25 de Abril estamos a celebrar o americano 4 de Julho. Se não fosse o Brasil e os outros países de Língua Oficial Portuguesa, qualquer dia, até o Português seria uma língua minoritária e teríamos um qualquer governante a defender que não vale a pena defendê-lo e seria melhor mudarmos mas é a língua do país para o latim da actualidade, o inglês americano. Torna-se urgente que cada comunidade, cada país reúna os seus gauleses e descubra a poção mágica que os ajude a preservar o seu património cultural, perante o avanço intrépido do império americano, coadjuvado por meios poderosíssimos, como os media e o poderio económico, ainda que, ultimamente, graças à crise, bastante enfraquecido, mas subrepticiamente vai continuando a estender os seus tentáculos. Os políticos não tiveram dúvidas em aprovar, na Assembleia da República, o Mirandês como segunda língua nacional. Recorde-se que foi aprovado por unanimidade. Agora está na hora de dar o corpo ao manifesto na sua preservação e defesa, bem como de tantas outras vertentes do nosso património cultural português, para não nos transformarmos em mais um estado americano, mas continuarmos a contribuir com as nossas peculiaridades, para a construção de uma Europa mais plural e mais rica culturalmente.

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