Região // Enfermeiros em protesto Por: / Secção: Actual / 08-04-2009 Imprimir Enviar a um amigo
Profissionais mostraram descontentamento com dois dias de greve e manifestações nas capitais de distritoDepois dos professores, agora são os enfermeiros a protestar contra as alterações que o Governo propôs relativamente à estrutura da carreira e desenvolvimento profissional.
Em causa está a proposta do Ministério da Saúde para a criação de apenas duas categorias, a do enfermeiro e enfermeiro principal, em vez das actuais cinco, passando o exercício da gestão a ser destinado apenas aos enfermeiros principais nomeados pelas administrações.
O descontentamento levou à paralisação dos serviços de saúde em todo o país, com os enfermeiros a fazerem greve durante dois dias e a manifestarem-se, na passada sexta, à mesma hora, em todas as capitais de distrito.
Para Lídia Valinho, representante do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, a medida que o Ministério pretende implementar vai criar “diferenciação” e retirar a possibilidade de “todos os enfermeiros atingirem o topo de carreira”.
Outro dos receios é que a medida possa “politizar” a profissão, como apontou Liliana Gomes, enfermeira há nove anos.
“A partir do momento que seja tudo por nomeação, ficamos todos a perder, sobretudo quem tenha mais formação. O elemento que for nomeado vai punir apenas pelos seus interesses e ainda resta saber como será feita a nomeação, por cor partidária ou pela cor dos olhos?”, lançou indignada.
Os baixos salários, a precariedade e o desemprego foram outros dos problemas apontados pelos enfermeiros. Em 2005, estes profissionais apresentaram ao Governo um modelo de desenvolvimento profissional, aprovado em Assembleia geral da Ordem, ao qual o Ministério não deu resposta.
Os enfermeiros querem também que o Governo considere a carreira num mesmo pé de igualdade quando comparada com outros técnicos da área da saúde. A enfermagem foi considerada uma carreira especial com um grau de complexidade de nível três mas, segundo os profissionais, “se for feita uma comparação entre o que o Governo propôs a outros técnicos de saúde, em termos de negociação da carreira e remuneração, os enfermeiros ficam a perder”.
À greve de dois dias os profissionais de toda a região transmontana responderam em massa, assegurando, contudo, os serviços mínimos obrigatórios por lei. Segundo dados do Sindicato a greve atingiu os 100 por cento em onze dos 28 centros de saúde dos distritos de Bragança e Vila Real.
Números do protesto
Vila Real – 400 enfermeiros protestaram em frente ao Governo Civil
Bragança – 200 enfermeiros protestaram na Praça Cavaleiro Ferreira
Números da greve (turno da noite)
Hospital de Mirandela: 90 por cento
Hospital de Macedo de Cavaleiros: 100 por cento
Hospital de Bragança: 95,83 por cento
Hospital de Chaves: 52,38 por cento
Hospital de Vila Real: 49 por cento
Hospital Peso da Régua: 66,67 por cento
Hospital Lamego: 72,7 por cento
Dados do Sindicato dos Enfermeiros


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