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Santa Marta de Penaguião // Meio século de cooperação em torno do vinho Por: Daniel Faiões / Secção: Actual / 23-01-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Daniel Faiões
Caves Santa Marta festejaram o seu aniversário com a presença do secretário de Estado Adjunto da Agricultura

As Caves Santa Marta assinalaram, no passado sábado, dia 17, a data que marcou os 50 anos da sua existência. Esta Adega Cooperativa foi formada em 1959 por um grupo de 14 vitivinicultores. Contudo, só quatro anos depois é que conseguiu efectuar a sua primeira vindima, a qual recebeu uvas de 96 associados, resultando mil pipas de vinho. Em 1970 e 1973 juntaram-se à Adega Cooperativa de Santa Marta de Penaguião, as cooperativas de Medrões e Cumieira, respectivamente. Hoje quem preside a direcção das Caves Santa Marta é José Eduardo Lopes, que assinalou a data como sendo um dia “importantíssimo” e, para ele, “um privilégio estar como presidente da direcção nesta altura em que a Adega faz 50 anos”. José Lopes destacou ainda o espírito associativo da instituição – actualmente com cerca de dois mil associados – somente possível “através da resistência dos cooperadores, da sua boa vontade, compreensão e pela vontade de dinamizar uma casa que hoje representa condignamente os vinhos e os viticultores de Santa Marta e do Douro”. Luís Medeiros Vieira, secretário de Estado Adjunto da Agricultura, esteve presente nas festividades e deixou algumas recomendações ao sector do vinho, nomeadamente àquele que é produzido nas encostas durienses. “A região do Douro tem 20 organizações cooperativas, são muitas, mas temos que encontrar soluções para as dimensionar, com a perspectiva de as tornar mais competitivas.” O elemento do Governo lembrou que as cooperativas do Douro tinham, em 2005, 40 por cento do volume de produção, valores que foram decaindo. “Em 2007, as mesmas cooperativas já só tinham 29 por cento dessa produção. Isto é um sinal que mostra claramente que a entrega das uvas passou a ser feita ao sector privado”, ressalvou. Luís Vieira alertou ainda para a importância dos pagamentos serem feitos de “forma justa e atempada àqueles que durante um ano trabalham para entregar às cooperativas o seu produto, explorando, por vezes, pequenas propriedades e com rendimentos baixos”. Finalizando o seu discurso, o secretário de Estado recordou ainda que o Governo já anunciou que irá conceder “uma linha de crédito a todo o sector agro-industrial de 175 milhões de euros, em que será beneficiada a concentração das organizações, quer da parte cooperativa, quer da parte privada, no sentido de ganharem mais dimensão para reduzirem custos e poderem pagar melhor aos viticultores”. Francisco Ribeiro, presidente da autarquia penaguiota, congratulou-se por mais um aniversário desta que é uma das maiores cooperativas agrícolas do País, alertando, no entanto, para o facto de “aparecerem a cada dia vinhos de toda a parte do mundo, algo que é difícil combater”. Contudo, o edil lembrou que a maior estrutura cooperativa do Douro assenta em factores que a distinguem e que a mantêm, como “a qualidade excelente dos produtos, uma paisagem magnífica e, acima de tudo, a garra, a esperança e a determinação destas gentes”.

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